Premiado Corporate Retreat alcança “novo patamar de gore”, diz atriz
Publicado em 02/05/26 08:00
O que você faria se pudesse se vingar daquele chefe que te demitiu?
Em Corporate Retreat, filme de terror exibido no Fantaspoa 2026, Arthur Scott (Alan Ruck, de Succession) consegue viver essa fantasia, levando todos os funcionários da empresa que ajudou a fundar – e da qual foi chutado sem nenhuma cerimônia algum tempo atrás – para uma “viagem de integração” que rapidamente se torna violenta.
Matthew Rhys quer papel no remake coreano de The Americans: “Estou esperando"O longa conquistou o público do festival em Porto Alegre (RS), o maior do cinema fantástico na América Latina, e saiu com um prêmio especial de melhor elenco. As atrizes Odeya Rush (Lady Bird, Goosebumps) e Sasha Lane (Twisters, Loki) estavam por lá para receber a estatueta, mas antes conversaram com o Omelete sobre Corporate Retreat.
Confira a conversa completa logo abaixo, logo após o trailer da produção!
OMELETE: Olá, é um prazer conhecê-las, sou o Caio. Sejam bem-vindas ao Brasil.
LANE: Olá!
RUSH: Obrigada!
OMELETE: Vamos falar sobre Corporate Retreat. Este filme se soma a uma lista crescente de filmes de terror e suspense que abordam a cultura corporativa e o capitalismo tardio. O que vocês acham que esse filme acrescenta a essa conversa? Vocês se sentiram atraídas por esses temas quando leram o roteiro?
LANE: O que me fascinou foi a psicologia por trás dessa ideia: se você pudesse se vingar dessa forma de alguém que o traiu, o que você faria? As pessoas estão em um nível de estresse muito alto aqui fora. Então, se você pudesse, que tipo de cenário criaria e por quê? Muitas dessas empresas dizem que são uma família e, no fim das contas, tudo se resume a dinheiro, tempo e ganância. Acho que, quando tudo isso entra em jogo, é sempre interessante, especialmente quando você consegue realizar algum tipo de fantasia distorcida sobre o que faria se alguém te prejudicasse, ou alguém te fizesse trabalhar até o absoluto esgotamento.
RUSH: Acho que o tema de até onde as pessoas iriam por dinheiro, como as pessoas perdem a moral quando se trata de receber um grande cheque, é muito forte. No nosso mundo, tem sido mais difícil do que nunca se sustentar, e essa fome que faz as pessoas irem a qualquer extremo por uma grana é algo bem pesado… mas também representativo do que está acontecendo agora. Acho que esse é o comentário que o Aaron [Fisher, diretor e roteirista] faz com este filme, e que eu considero muito legal.
OMELETE: Apenas pelo trailer dá para ver que há muito sangue envolvido em Corporate Retreat. Vocês podem falar sobre como foi filmar essas cenas, com efeitos práticos e tudo mais, e o que o público pode esperar desse elemento do filme?
RUSH: Para mim, apenas ler essas cenas foi difícil, porque sou muito medrosa. Há coisas aqui que são realmente nojentas. Se você é fã de gore, é como se todos os seus sonhos estivessem se tornando realidade. Acho que as pessoas ficarão realmente chocadas. Neste momento, já houve tantos filmes de terror sangrentos que você precisa de algo que eleve o nível para ser entretido – e acho que este filme faz isso, ele realmente alcança um novo patamar de repulsa. Para mim, mesmo no set, ver essas coisas práticas foi difícil. Eu fiquei genuinamente enojada e assustada.
OMELETE: Uau! Sasha, sua personagem no trailer é apresentada como uma guia no retiro espiritual. Isso significa que você consegue zombar da linguagem e dos clichês desse tipo de lugar. O quanto foi divertido fazer isso? Você já tinha uma noção preconcebida sobre esses temas?
LANE: Foi super divertido. Eu nunca tinha 100% de certeza do que minha personagem estava fazendo, ou como o Aaron queria que fosse – ele apenas me deu liberdade total. Então, o jeito que encontrei de me conectar com a personagem foi através do humor, agindo com se tivesse um sorriso irônico no rosto o tempo todo, um comportamento meio indiferente e delirante. Há tantos elementos diferentes nos quais eu poderia ter me inspirado, com essa cultura do bem-estar e até da religião, ao qual muitas pessoas se atiram com um senso de ganância ou de monetização... Eu me diverti muito sendo completamente ridícula no set, dizendo às pessoas que está tudo bem enquanto elas entram em um corredor escuro e assustador.
RUSH: Eu só quero dizer algo sobre a atuação da Sasha. Sinto que, comparando o que estava no papel e o que ela fez no set, é muito diferente. Ela trouxe muita personalidade para essa personagem, e seguiu uma direção diferente da que esperávamos. Ela me mata de rir neste filme, de verdade. Na primeira cena que fizemos juntas, Sasha entra na sala com aquele jeitinho dela de andar, e nós imediatamente morremos de rir, porque nunca esperávamos por isso. O que estava no papel era uma assassina fria, quase robótica, e ela trouxe tanto calor humano à personagem!
OMELETE: Ótimo. Obviamente, muito deste filme depende da química e do relacionamento entre todos os personagens. Vocês tiveram muito tempo para ensaiar? Qual foi o processo de construção desses relacionamentos no set?
RUSH: Não, nós fomos direto ao ponto. Nós não ensaiamos nada, e acho que, felizmente, nos conectamos muito bem. Este elenco é formado por pessoas muito boas e engraçadas, nós realmente estávamos lá para apoiar uns aos outros. Parecia que nos conhecíamos há anos. É meio raro você se conectar com um elenco tão rapidamente.
LANE: Acho que, em cenas com muito sangue, onde as pessoas morrem.. o melhor é não ensaiar demais, porque sua reação vai diminuindo. Quantas vezes você consegue gritar pela mesma coisa? Então, acho que foi bom que apenas mergulhamos de cabeça na história.
OMELETE: Bem, eu tenho que dizer que acho ótimo ver histórias originais como esta prosperando no gênero de terror. Por que vocês acham que os filmes de terror originais continuam indo tão bem hoje em dia?
RUSH: Talvez seja o que precisamos neste momento. Também acho que as pessoas estão ficando cansadas de remakes e spin-offs. É refrescante ver algo original, algo onde você está literalmente na ponta da cadeira e não sabe o que vem a seguir.
LANE: Você pode contar qualquer tipo de história que quiser no terror, você sempre pode inserir temas e pensamentos aleatórios para refletir, justamente porque ninguém está esperando. O seu cérebro esta superestimulado o tempo todo, “isso é nojento”, “isso é assustador”, e quando você vê está lá esperando pela próxima cena. As ideias originais do terror vêm das pessoas que o fazem, das coisas que as deixam com raiva, ou que elas gostariam que os outros entendessem. Acho que o horror sempre terá histórias originais.
OMELETE: Muito obrigado a vocês. Tenham um ótimo festival!
RUSH: Obrigada!
LANE: Tchau, Caio! Obrigada.
*Corporate Retreat ainda não tem data de estreia definida nos cinemas brasileiros.
Fonte: Omelete // Caio Coletti