"Coisa Mais Linda": Fernanda Vasconcellos conta como se preparou para viver vítima de violência

Publicado em 26/03/19 17:00

Fernanda Vasconcellos tem um papel difícil em "Coisa Mais Linda", a nova série brasileira da Netflix que estreou na última sexta-feira (22). Ela dá vida a Lígia, uma mulher que abriu mão do sonho de ser cantora e é agredida pelo marido Augusto (Gustavo Vaz), um político em ascensão.

Lígia carrega em si as marcas - físicas e psicológicas - das surras, retratadas pela série em cenas impactantes, e reluta em aceitar a ajuda das amigas Malu (Maria Casadevall), Thereza (Mel Lisboa) e Adélia (Pathy Dejesus) - situação que ainda persiste hoje, mas era ainda mais comum em 1959, época em que a trama se passa.

Na hora de criar a personagem, o principal cuidado de Fernanda foi o de não julgá-la. "Minha preparação foi para não julgar a Lígia, para não fazer a Lígia como eu imaginava que ela fosse; para me deixar contaminar por esse lugar em que você realmente não enxerga onde você está inserido. Sem julgamento, com esse campo aberto de me colocar mesmo no lugar dessa mulher", explicou a atriz, em entrevista ao UOL.

Atrizes falam sobre a importância de "Coisa Mais Linda"

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No processo, foi importante mostrar na tela inclusive a paixão de Lígia pelo marido. "Eu quis deixar esse amor realmente existir, eu quis alimentar essa relação de paixão entre os dois no casamento", contou Fernanda.

Para a atriz, "Coisa Mais Linda" tem potencial para fazer o público refletir sobre machismo e o tratamento dado às mulheres na sociedade. Além da violência doméstica, a trama criada por Heather Roth e Giuliano Cedroni também trata de temas como o preconceito no ambiente de trabalho e o racismo.

"A série apresenta também o quanto o que não parece ser violência é de uma violência brutal, que é quando você não deixa o outro se expressar, quando você não dá a oportunidade de ele desistir, de ter o seu direito garantido como ser humano", analisa Fernanda. "Quando você abafa a voz dessas mulheres, quando você não dá a oportunidade para essas pessoas, você as destitui de seus direitos humanos".

Fonte: UOL Cinemas // Beatriz Amendola