Presidente da Sony pede ingressos mais baratos e menos anúncios nos cinemas
Publicado em 14/04/26 20:00
Durante a CinemaCon, em Las Vegas, o presidente da Sony Motion Pictures, Tom Rothman, fez um pedido de ajuda, um chamado aos colegas da indústria do cinema. “Precisamos ter filmes por mais tempo, ingressos mais baratos e menos anúncios. É nossa missão olhar para o futuro da indústria cinematográfica e não só para o momento”, falou o executivo, no primeiro grande painel do evento que reúne exibidores, distribuidores e toda a cadeia de cinema mundial.
Rothman é conhecido pelos discursos fortes, bem humorados e com foco no que está acontecendo no cenário econômico mundial. Ele lembrou dos embates no Oriente Médio e fez uma saudação aos canadenses no auditório: “Vocês não são o 52º estado”, disse ele, em alusão à polêmica fala do presidente Donald Trump, que sugeriu anexar o Canadá aos EUA. Se nos discursos anteriores Rothman focou na força do cinema e o quão forte era o catálogo que a Sony apresentaria no ano, 2026 foi a hora não de pedir união, mas ação.
Na visão do presidente do estúdio, essa temporada guarda uma série de lançamentos que trará diversos públicos ao cinema e isso já começou a ser comprovado com o melhor primeiro trimestre em anos. Por outro lado, Rothman acha que não é a hora de se acomodar. “Temos que fazer escolhas pensando no futuro do nosso mercado e abrir mão de algumas coisas momentâneas”, disse. Para ele, o momento é de “provar o valor” da experiência coletiva que é o cinema, e por isso exibidores e estúdios precisam tomar atitudes importantes.
“Por favor, exijam e lutem por maiores janelas de lançamento. Os filmes precisam ficar exclusivamente no cinema. Baixem o preço do ingresso! Não podemos competir com conteúdos e experiências gratuitas. E, por fim, acabem com a quantidade enorme de anúncios antes dos filmes. Hoje a pessoa pode chegar 40 minutos depois do horário do filme e nem os trailers passaram! Chega, larguem essas drogas que são os anúncios”, clamou o executivo.
Não dá pra dizer que o discurso foi recebido com empolgação, mas é evidente que o cinema precisa de um chacoalhão. Ainda que os números tenham melhorado, a experiência em si é imutável há décadas e o preço sobe, enquanto a concorrência de outras telas é cada vez mais brutal. Rothman, como alguém que lançou sucessos como Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, Jumanji e Homem-Aranha Através do Aranhaverso, sabe que uma mudança no cenário não só é necessária, como vital.
“Saibam que nós dos estúdios estaremos juntos e faremos o que for preciso. Vocês não estão sozinhos nessa”, finalizou o presidente. A questão é saber se todos os estúdios pensam assim e se os exibidores estarão abertos a abrir mão de linhas de receitas históricas para trazer a atenção que hoje está distribuída entre streaming e redes sociais. De fato, o calendário de 2026 é promissor para bilheterias e para a Sony, que terá um novo filme do Homem-Aranha e ainda encerra o ano com Jumanji: Mundo Aberto, a questão é entender se será somente um respiro ou uma oportunidade de mudar a ótica que boa parte dos consumidores têm hoje, de uma experiência com preço alto, não-exclusiva e recheada de interrupções, segundo o próprio Rothman.
Fonte: Omelete // Thiago Romariz