Christopher Nolan comenta distribuição de filmes no cinema após venda da Warner
Publicado em 02/02/26 17:00
Novo presidente do Directors Guild of America (DGA), sindicato que representa os diretores de cinema e televisão dos Estados Unidos, o cineasta Christopher Nolan se manifestou sobre o futuro da distribuição de filmes nas telonas após a iminente venda da Warner, para a Netflix ou para a Paramount.
"Temos preocupações muito, muito sérias sobre como tudo isso vai acontecer. Acho que é um momento muito preocupante para a indústria. A perda de um grande estúdio é um golpe enorme", admitiu ele à Variety, em sua primeira entrevista desde que foi eleito para o cargo.
O DGA tem pressionado a Netflix por uma janela de 60 dias entre a exibição dos títulos nos cinemas e sua posterior inclusão no streaming - o co-CEO da companhia, Ted Sarandos, prometeu apenas manter o intervalo de 45 dias.
A Paramount, por sua vez, promete elevar sua média de produção cinematográfica para 30 filmes por ano, além de manter janelas de exibição "tradicionais e saudáveis". "Há sinais encorajadores, mas isso não significa compromissos", define Nolan.
"A janela de exibição nos cinemas se torna uma espécie de símbolo facilmente compreensível de se a Warner Bros. continuará sendo administrada como uma distribuidora de filmes ou se será incorporada a um serviço de streaming. Mas a realidade é que as questões relacionadas à televisão e ao streaming são muito mais importantes para nossos membros", acrescenta o cineasta.
Tudo sobre a aquisição da Warner pela Netflix
A Netflix anunciou um acordo para adquirir a Warner Bros. Discovery (WBD) num dos maiores negócios da história do entretenimento global. A operação combina dinheiro e ações — avaliando a WBD em US$ 27,75 por ação — e totaliza quase US$ 83 bilhões em valor empresarial, com US$ 72 bilhões em valor de mercado para os acionistas.
O que muda para a Netflix?
A Netflix alavanca seu crescimento ao incorporar um vasto catálogo histórico de filmes e séries, incluindo ativos premium como HBO/HBO Max, além de estúdios e franquias icônicas.
A ação representa uma mudança significativa no modelo tradicional da Netflix, que até então crescia principalmente por produção orgânica e licenciamento, e agora passa a integrar grandes ativos tradicionais de Hollywood.
A operação ainda dependerá de aprovações regulatórias, podendo enfrentar escrutínio antitruste.
Expansão estratégica e pressões regulatórias
A aquisição marca uma mudança na estratégia da Netflix, que historicamente cresceu com produções próprias e licenciamento. Sob seu guarda-chuva, o estúdio Warner passaria a operar com fluxo próprio, mantendo lançamentos de cinema com janelas tradicionais e uma estrutura híbrida entre streaming e exibições teatrais — uma expansão do modelo atual da plataforma.
Reserva Imovision | Assine o streaming cinéfilo aquiO negócio, porém, enfrenta resistência. Cineastas e produtores pediram ao Congresso dos EUA um escrutínio antitruste rigoroso, alegando risco de concentração de mercado. Legisladores também solicitaram avaliações detalhadas sobre impacto em concorrência, distribuição e relações trabalhistas no audiovisual.
Disputa acirrada e críticas entre concorrentes
Durante o processo, a Paramount Skydance questionou a lisura da venda e acusou a WBD de favorecer a Netflix. A empresa defendeu a criação de um comitê independente para avaliar as propostas, enquanto grupos políticos republicanos também demonstraram preocupação pública com a expansão da Netflix sobre operações de TV e cinema.
O que acontece agora e resposta do governo
As negociações seguem exclusivas por prazo limitado e podem resultar num anúncio oficial caso Netflix e WBD alinhem os termos finais. Depois disso, o acordo ainda precisará passar pelo crivo dos reguladores — etapa que pode se prolongar ao longo de 2026.
Netflix manteria filmes da Warner no cinema, caso compre a empresa, diz siteA proposta da Netflix chamou atenção dos órgãos regulamentadores nos Estados Unidos, com a representante republicada Darrell Issa fazendo uma carta em novembro para a Procuradora-Geral dos EUA, Pam Bondi, e ao presidente da FTC, Andrew Ferguson, e à Procuradora-Geral Adjunta da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça, Gail Slater.
A Netflix é a principal líder no mercado de streaming, e a aquisição da HBO Max, representaria uma grande disrupção no cenário dos serviços de streaming. Devido a esses problemas, a Paramount teria enviado uma carta ao time legal da Warner avisando que a negociação com a Netflix pode não se concretizar devido aos órgãos regulamentadores, e também acusando a empresa de favorecer o streaming nas negociações.
Fonte: Omelete // Felipe Brandão