FILMES NO CINEMA

A Cabeça do Santo | Produção reúne convidados e autora fala sobre adaptação

Publicado em 05/02/26 15:00

A Cabeça do Santo, adaptação do best-seller de Socorro Acioli, finalmente vai ganhar as telas do cinema nacional. Nesta quarta-feira (04), foi realizada uma leitura de trechos do roteiro, marcando mais um passo no desenvolvimento do longa e o Omelete teve acesso ao conteúdo com exclusividade. Confira fotos abaixo!

O encontro aconteceu na sede da produtora Coração da Selva, no centro histórico de São Paulo, e reuniu nomes importantes do projeto, como a diretora e roteirista Joana Mariani, de Todas as Canções de Amor, How to Be a Carioca e Marias: A Fé no Feminino, além do ator Jesuíta Barbosa, que participou da leitura, apesar de ainda não integrar oficialmente o elenco. Melina Anthís e Agnes Nunes também foram convidadas para a leitura. A produção é uma nova aposta da Coração da Selva, que tem no portfólio o sucesso da Beleza Fatal, da HBO Max, e o vencedor do Emmy Pedro & Bianca.

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Baseado no romance homônimo lançado em 2014, o filme acompanha a história de um jovem que descobre ter o dom de ouvir as preces das mulheres dirigidas a Santo Antônio. A obra mistura religiosidade popular, realismo fantástico e elementos profundamente enraizados na cultura nordestina — características que ajudaram o livro a conquistar leitores no Brasil e no exterior.

Coração da Selva

Segundo Socorro Acioli, a obra sempre despertou a sensação de que a narrativa já nascia com vocação cinematográfica. A autora contou ao Omelete que a gênese de A Cabeça do Santo remonta a 2006, quando viu uma notícia de jornal sobre uma enorme cabeça de santo abandonada e escreveu uma sinopse curta para concorrer a uma oficina de roteiro ministrada por Gabriel García Márquez, em Cuba. “Durante os primeiros quatro anos depois da oficina, todo o trabalho que fiz foi de argumento e versões de roteiro para cinema; só depois decidi escrever um livro”, explica. A origem audiovisual da história ajudou a moldar a estrutura visual do romance, o que, para ela, facilitou agora o caminho inverso rumo às telas.

A escritora também reforçou que o longa deve preservar a essência do livro, especialmente na forma como trata o insólito como parte da vida cotidiana. Ela lembra que muitos leitores perguntam se a cabeça retratada na história é real e se surpreendem ao saber que sim. “O filme vai ser muito fiel a essa ideia de que o que parece absurdo é só mais uma faceta da realidade”, afirma. Para Acioli, esse tipo de imagem nasce de contextos sociais específicos: cidades pequenas, marcadas pela pobreza e pela fé como instrumento de esperança.

A autora relembra que essa abordagem aproxima a obra do realismo fantástico latino-americano, ainda que veja o conceito de forma mais ampla. Ela aponta uma “irmandade estética” entre narrativas do Nordeste brasileiro, de outros países da América Latina e até de vilas africanas, todas marcadas pela mistura entre o real e o mítico. Para ela, o público não estranha esses elementos, ao contrário, demonstra cada vez mais interesse por eles. “Para quem vem de um lugar assim, estamos apenas contando o que acontece nas nossas vidas”, resumiu.

Coração da Selva

Acioli também enxerga a adaptação dentro do debate sobre regionalismo no cinema brasileiro. Para ela, ainda persiste um preconceito histórico que classifica produções nordestinas como “regionais”, enquanto narrativas do Sudeste seriam vistas como “nacionais”. A autora considera essa divisão ultrapassada e fruto de construções sociais e econômicas antigas. “Se a gente ganhar um Oscar, vai ser um Oscar regionalista ou o Brasil vai querer o prêmio por inteiro?”, questiona.

Apesar de reconhecer que o estigma ainda existe, ela vê mudanças em curso, impulsionadas pela força recente de artistas e realizadores nordestinos no cinema e na literatura. A escritora diz não gastar energia tentando combater rótulos diretamente, preferindo acreditar que o próprio impacto das obras tem dissolvido essas barreiras. “O Nordeste está entregando muita coisa boa para o Brasil artisticamente, e essa caricatura vai, aos poucos, se desfazendo”, conclui.

Coração da Selva

Com a leitura de roteiro concluída e o projeto avançando, A Cabeça do Santo se encaminha para levar às telas uma história que nasceu do cinema, virou literatura e agora retorna ao audiovisual carregando a mesma mistura de fé, realidade e fantasia que conquistou seus leitores.

A Cabeça do Santo ainda não tem previsão de lançamento nos cinemas.

Fonte: Omelete // Alexandre Almeida

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