Veja o trailer do filme Visages, villages
Visages, villages
O que você precisa saber antes de assistir
Os Catadores e Eu já tinha provado que Agnès Varda enxergava poesia no que todo mundo ignora. Em Visages, Villages, ela repete a dose ao lado do fotógrafo JR.
Os dois pegam a estrada em um caminhão fotográfico e percorrem vilarejos do interior da França. Em cada parada, fotografam moradores comuns e colam os retratos em escala gigante nos muros, nas fachadas, nas paredes de fábricas.
O filme é parte road movie, parte manifesto sobre arte pública e parte diário de uma amizade improvável. A documentário se constrói no improviso, com Varda e JR trocando ideias sobre imagem, memória e o que vale ser registrado.
Estreia e legado
Visages, Villages chegou aos cinemas brasileiros em 25 de janeiro de 2018, trazido pela Fênix Filmes, quase um ano depois de seu lançamento na França. A espera não diminuiu o impacto.
Em Cannes 2017, o filme recebeu o Olho de Ouro, prêmio dedicado ao melhor documentário da mostra. Em 2018, concorreu ao Oscar de Melhor Documentário, perdendo para Eu Não Sou Seu Negro, mas consolidando-se como um dos títulos mais celebrados daquele ano pela crítica internacional.
Hoje, a obra é lembrada como um dos pontos altos da filmografia tardia de Agnès Varda, lançado pouco antes de problemas de saúde limitarem suas aparições públicas. É também o registro de uma parceria afetiva rara com JR, que mistura admiração mútua e provocação leve.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a humanidade dos encontros. Cada retrato colado num muro de fábrica ou de celeiro transforma pessoas anônimas em monumentos temporários, e o filme captura isso sem pieguice.
A cumplicidade entre Varda e JR dá leveza ao que poderia virar ensaio sociológico. As discussões sobre envelhecer, trabalhar e ser visto soam genuínas.
Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento. Quem busca tensão narrativa ou grandes reviravoltas vai achar o passeio contemplativo demais.
Alguns episódios (como a famosa investida à casa de Jean-Luc Godard) viram quase piada interna do cinema francês, o que pode alienar quem não conhece os bastidores da Nouvelle Vague.
Curiosidades dos bastidores
- O caminhão fotográfico usado por JR no filme é o mesmo que ele vinha employing em instalações reais pelo mundo, incluindo o Brasil, onde colou retratos no Morro da Providência.
- A parceria com Varda começou em 2015, após os dois se encontrarem numa homenagem e decidirem, ali mesmo, rodar algo juntos pelo interior da França.
- A visita a Godard foi improvisada: Varda e JR passaram pela porta dele sem avisar, e a sequência do bilhete na porta virou uma das imagens mais compartilhadas do documentário.
Perguntas frequentes
Visages, Villages é documentário ou ficção?
É um documentário, dirigido por Agnès Varda e JR. Não há roteiro ficcional, embora existam situações encenadas de leve, como a colagem dos retratos nas paredes.
Qual a duração de Visages, Villages?
O filme tem 94 minutos, pouco menos de uma hora e meia, o que ajuda no ritmo contemplativo da viagem.
Visages, Villages está disponível em streaming no Brasil?
Desde a estreia nos cinemas em 2018, o longa circulou em catálogos digitais no Brasil. A disponibilidade atual deve ser consultada na grade dos serviços de streaming exibida na seção de programação desta página.
Pra quem é este filme:
- Fãs de documentário autoral europeu, especialmente da linhagem de Varda e da tradição humanista francesa.
- Entusiastas de arte urbana, fotografia de grande formato e intervenções em espaço público.
- Quem aprecia filmes sobre amizade intergeracional e processos criativos mostrados em tempo real.
Título original: Visages, Villages
País de origem: França
Data do lançamento: 25/01/2018
Distribuidora: Fênix Filmes
Diretor: Agnès Varda JR., Agnès Varda, JR (Jean Réné)
Principais atores: