Viejo Calavera

Viejo Calavera

Do luto à galeria da mina

Em Viejo Calavera, Elder Mamaní é um adolescente boliviano que perde o pai e não demonstra tristeza. Ele é enviado para Huanuni, cidade mineira de altitude, para viver com a avó e o padrinho Francisco.

Francisco arruma para ele um emprego na mina local. A nova rotina poderia ser uma redenção, mas Elder prefere se drogar e circular pelas áreas de risco da cidade à noite.

O tom social muda quando o garoto descobre um segredo obscuro envolvendo Francisco e a morte do pai. O diretor Kiro Russo mistura drama e suspense com olhar quase documental sobre a Bolívia profunda.

Linha do tempo e legado

Viejo Calavera estreou no Festival de Locarno 2016, na Suíça, conquistando o prêmio de melhor filme na seção Cineastas do Presente.

A produção é uma coprodução entre Bolívia e Qatar, raro caso de filme andino a circular com força em circuito de festivais europeus. No Brasil, chegou aos cinemas em 16 de março de 2017, em circuito limitado de mostras e sessões especiais.

O longa também marca a estreia do jovem Julio Cesar Ticoa como protagonista, em performance natural que dialoga com o cinema de neorrealismo andino. Hoje, é lembrado como uma das obras mais autênticas de Kiro Russo e referência do cinema de festival latino-americano dos anos 2010.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a autenticidade do ambiente. A mina de Huanuni, os becos da cidade e o elenco de não profissionais criam uma textura rara no cinema contemporâneo. Russo filma a Bolívia real, sem picturesque nem exotismo.

O elenco, liderado por Julio Cesar Ticoa e Narciso Choquecallata, entrega uma verdade crua que compensa o ritmo lento.

Ponto fraco: a narrativa é arrastada. Quem busca trama convencional, reviravoltas ou clímax marcado vai sair frustrado. O filme pede paciência e entrega mais atmosfera do que história fechada.

É cinema de festival legítimo, mas exige predisposição para o estilo contemplativo.

Curiosidades

  • O filme foi rodado em Huanuni, cidade real da Bolívia marcada por conflitos trabalhistas em minas de estanho.
  • Kiro Russo também assina a direção de fotografia, algo raro em obras deste porte e que explica a unidade visual do longa.
  • A produção teve dificuldades de financiamento e contou com apoio do Qatar, parceiro incomum para o cinema andino.

Perguntas frequentes

Viejo Calavera tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina de forma seca, sem cenas extras durante ou após os créditos.

Qual é a duração de Viejo Calavera?

São 80 minutos, formato enxuto e direto para um drama de festival.

Viejo Calavera é baseado em fatos reais?

Não é uma adaptação direta, mas foi inspirado nas vivências reais dos moradores e mineradores de Huanuni, cenário onde o filme foi rodado.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema de festival e cinema latino-americano de autor, habituados a obras de Lisandro Alonso e Carlos Reygadas.
  • Leitores de jornalismo imersivo sobre América Latina, mineradoras e narrativas de fronteira urbana.
  • Curiosos por cinema de altitude, ficções ambientadas em cidades andinas e elencos não profissionais.

Título original: Viejo Calavera

País de origem: Bolívia / Qatar

Data do lançamento: 16/03/2017

Distribuidora: Festival

Diretor: Kiro Russo

Principais atores: