Veja o trailer do filme Uma mulher chamada Sada Abe

Uma mulher chamada Sada Abe

Uma mulher chamada Sada Abe

Festival Duração: 1h 16min

O caso real que virou filme proibido

Em 1975, o diretor Noboru Tanaka transformou um dos crimes mais famosos do Japão pré-guerra em um marco do cinema proibido.

A protagonista é Abe Sada, funcionária que se envolve com o patrão do restaurante, Ishida Kichizo. Quando a esposa descobre o caso, os dois fogem para uma pousada em Arakawa, Tóquio.

O que acontece a seguir é uma escalada de sexo, submissão, asfixia erótica e asfixia levada ao extremo, narrada com a voz interna de Sada. A frieza do tratamento transforma o caso real em estudo de obsessão.

Estreia, impacto e legado

Lançado no Japão em 1975, o longa integra a geração de ouro dos pinku eiga, os filmes rosa que dominavam as salas de cinema adultas japonesas antes da criação da classificação oficial para conteúdo erótico.

Apesar de ter passado quase despercebido pelo grande público na época, o filme ganhou status cult nas décadas seguintes e é hoje citado como influência direta por cineastas como Takashi Miike e Sion Sono.

Por aqui, chega em circuito bastante limitado, via mostras de cinema japonês e sessões de clássicos. Não é uma sessão pipoca: é um evento.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a atuação de Junko Miyashita sustenta os 76 minutos inteiros com uma intensidade quase insuportável. A voz em off que conduz a narrativa é o que dá ao filme a sua tensão psicológica.

A direção de Tanaka é precisa ao misturar a estética dos pinku eiga com uma narrativa que soa quase como um relatório policial. O voyeur do telhado, de outro mestre do cinema japonês proibido, é a referência mais próxima para quem quer entender a linguagem.

Ponto fraco: o ritmo é repetitivo de propósito, e isso pode soar monótono para quem espera variação. Não há reviravoltas: é um mergulho que desce sem volta.

Curiosidades de bastidores

  • O caso real de Abe Sada aconteceu em 1936, e a atriz que assassinou o amante chocou o Japão por ter carregado o corpo de carro pela cidade.
  • Junko Miyashita era uma das atrizes mais requisitadas dos pinku eiga, e o longa é citado como um dos pontos altos da carreira dela.
  • O filme foi exibido em mostras como o Festival de Cinema Fantástico de Buenos Aires e circulou em cópias raras antes da restauração em DVD nos anos 2000.

Perguntas frequentes

Uma mulher chamada Sada Abe é baseado em fatos reais?

Sim. O longa recria o caso Abe Sada, que em 1936 matou o amante Ishida Kichizo após uma série de sessões de asfixia erótica. O caso virou um dos crimes mais famosos do Japão pré-guerra e inspirou diversos filmes e livros.

Tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina com a mesma sobriedade clínica com que começa, sem ganchos ou cenas extras após os créditos.

É um filme de terror?

Não oficialmente, mas a atmosfera o aproxima do horror psicológico. A violência é mostrada sem filtros e pode ser tão perturbadora quanto qualquer filme de terror.

Onde posso assistir online?

Consulte a lista de cinemas e plataformas atualizada no bloco de programação desta página. Filmes como este costumam circular em mostras, streamings de cinema de arte e edições físicas restauradas.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema japonês underground e da era dos pinku eiga dos anos 1970.
  • Quem estuda o trabalho de Noboru Tanaka, Takashi Miike ou Sion Sono.
  • Leitores de não-ficção criminal japonesa, especialmente casos reais do período pré-guerra.

Título original: Jitsuroku Abe Sada

País de origem: Japão

Distribuidora: Festival

Diretor: Noboru Tanaka

Principais atores: