Um Barco e Nove Destinos
O que esperar do filme
Imagine um bote salva-vidas perdido no Atlântico, em plena Segunda Guerra Mundial. Dentro dele, cabem nove sobreviventes que mal se conhecem, vindos de lados opostos do conflito. Esse é o ponto de partida claustrofóbico de Lifeboat, lançado no Brasil como Um Barco e Nove Destinos.
O longa praticamente inteiro acontece dentro de um bote à deriva, sem flashbacks, sem cortes para terra firme. A direção de Alfred Hitchcock transforma o espaço mínimo em um microcosmo da guerra: cada decisão é sobrevivência, cada silêncio pesa.
Quando um náufrago alemão é resgatado, a tensão muda de nível. A discussão sobre quem comanda, quem decide e em quem se pode confiar domina a narrativa. É um drama de guerra construído quase como um romance de câmara, com diálogos afiados e dilemas morais nada óbvios.
Lançamento e legado
Estreou em 17 de março de 1944 nos Estados Unidos, em pleno esforço de guerra americano. O estúdio 20th Century Fox apostou em uma proposta arriscada: nenhum protagonista claramente positivo, nenhum inimigo caricato.
Foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Original, escrito por John Steinbeck a partir de uma história de Alfred Hitchcock. É um dos raros títulos do diretor sem vilão clássico à la Psicose e sem a presença de uma música-tema inesquecível como em Um Corpo Que Cai.
Hoje é lembrado como experimento de tensão concentrada, um dos trabalhos mais corajosos da carreira de Hitchcock e peça obrigatória para quem estuda o período de guerra em Hollywood. Curiosamente, Hitchcock faz uma rápida participação, aparecendo em um anúncio de remédio para emagrecer — clássico easter egg hitchcockiano.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a construção de suspense dentro de um único cenário. Hitchcock transforma o bote em arena política, com roteiro de Steinbeck afiado e elenco afiado. As atuações de Tallulah Bankhead e Walter Slezak sustentam o peso das cenas.
Ponto fraco: o ritmo é lento para o espectador contemporâneo, acostumado a cortes rápidos. A representação de Joe Spencer, personagem de Canada Lee, é datada e gera críticas legítimas hoje em dia.
É um filme de 1944 com intenções modernas, mas precisa de paciência. Quem chega até o final ganha um debate moral nada confortável.
Curiosidades de bastidor
- O roteiro é de John Steinbeck, prêmio Nobel de Literatura, contratado por Hitchcock a partir de uma premissa simples: o que acontece em um bote durante a guerra.
- Hume Cronyn, parceiro frequente de Hitchcock, coassina o roteiro com Steinbeck e ainda faz o papel de Stanley Garrett, o radiotelegrafista.
- O próprio Alfred Hitchcock aparece em duas propagandas de remédio para emagrecer dentro de um jornal mostrado em cena, sua marca registrada de participações rápidas.
Perguntas frequentes
Um Barco e Nove Destinos é um filme de guerra ou suspense?
É os dois. A guerra é o cenário, mas o motor dramático é o suspense psicológico e moral entre os sobreviventes. Fica mais perto de Festim Diabólico do que de um filme de batalha.
Alfred Hitchcock dirige ou também atua em Um Barco e Nove Destinos?
Dirige, e ainda faz uma ponta clássica em duas propagandas falsas dentro de um jornal em cena.
Onde o filme se passa e quanto tempo dura?
A ação se passa no Oceano Atlântico, com a narrativa quase toda confinada a um bote salva-vidas. A duração é de 97 minutos, exibidos em preto e branco.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Alfred Hitchcock que querem ver o diretor em modo experimental, longe de thrillers famosos como Janela Indiscreta ou Os Pássaros.
- Interessados em dramas da Segunda Guerra que exploram a guerra pelo comportamento humano, não pelas batalhas.
- Estudantes e entusiastas de cinema clássico americano, em especial a produção dos anos 1940 ao lado de E o Vento Levou e Rebecca, A Mulher Inesquecível.
Título original: Lifeboat
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 17/03/1944
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Alfred Hitchcock
Principais atores: