De Fardas para Maiôs: O Que Acontece Quando a Guerra Não Acaba
Em The Stopover (Voir du Pays no original), as diretoras Delphine Coulin e Muriel Coulin entregam um drama seco e silencioso sobre o pós-guerra que ninguém vê.
Marine (Soko) e Aurore (Ariane Labed) são duas jovens soldados francesas que acabaram de passar meses servindo no Afeganistão. Antes de voltarem para casa, ganham três dias de folga obrigatória — a chamada "licença de descompressão" — em um resort cinco estrelas no Chipre.
O problema é simples: o sol, a piscina e o bufê liberado não apagam o barulho. Entre touristes bêbados e shows de animação, as duas tentam reencontrar um lugar no mundo.
É um filme sobre mulheres na guerra contado de dentro, sem heroísmo barato e sem trilha sonora gritando por emoção. O conflito aqui é interno — e demora a sarar.
Do Tapete Vermelho de Cannes ao Circuito de Arte
Voir du Pays estreou na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2016, onde levou o prêmio de melhor roteiro.
No Brasil, chegou com o título The Stopover em 16 de março de 2017, em circuito limitado voltado ao público de cinema de arte.
Apesar de não ter emplacado nas bilheterias comerciais, virou título cult entre fãs do cinema europeu contemporâneo. É citado com frequência em listas sobre representatividade feminina dentro de narrativas de guerra — um subgênero historicamente dominado por olhares masculinos.
Hoje é lembrado como um dos trabalhos mais maduros das irmãs Coulin e como ponto alto da filmografia de Ariane Labed, atriz grega de carreira internacional.
Vale o Ingresso?
Ponto alto: as duas protagonistas. Soko e Ariane Labed carregam o filme nas costas com uma naturalidade desconcertante. As cenas entre as duas no quarto do hotel são pequenas aulas de interpretação.
A direção das irmãs Coulin acerta ao não romantizar nem fetichizar o trauma. A violência fica fora de quadro, mas pesa no olhar de cada personagem.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem espera estrutura convencional de três atos pode achar o meio do filme arrastado. Não é um longa para ver no celular no metrô.
Também não espere respostas fáceis. O roteiro premiado em Cannes prefere a ambiguidade à catarse — o que divide parte do público.
Curiosidades de Bastidores
- O roteiro foi escrito pelas próprias diretoras, e venceu o prêmio de melhor roteiro em Un Certain Regard no Festival de Cannes 2016.
- As cenas no resort foram gravadas em um hotel real em Chipre, com turistas reais aparecendo como figurantes em vários momentos.
- A atriz Ariane Labed gravou várias cenas durante o dia e, em seguida, participava de filmagens de outro longa — o que explica o olhar exausto de sua personagem.
Perguntas Frequentes
The Stopover (Voir du Pays) é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficcional, mas se inspira no protocolo militar real de "licença de descompressão" adotado por exércitos europeus após missões no Afeganistão.
Qual a classificação indicativa do filme?
O longa tem cenas de violência psicológica e conteúdo maduro. A classificação indicativa oficial no Brasil é 16 anos.
The Stopover está disponível em streaming no Brasil?
A disponibilidade varia conforme a plataforma. Consulte a seção de programação do Filmes no Cinema para conferir as opções atuais de streaming e sessões em cinema.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema europeu de arte e diretores que evitam soluções óbvias.
- Quem curte dramas sobre guerra contados pelo lado humano, não pelo de campo de batalha.
- Interessados em representatividade feminina dentro de narrativas historicamente masculinas.
Título original: VOIR DU PAYS
País de origem: FRANÇA, GRÉCIA
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Delphine Coulin, Muriel Coulin
Principais atores: