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Silêncio

Silêncio

14 Drama Histórico Duração: 2h 39min

O que é Silêncio

Silêncio é o longa que Martin Scorsese levou quase trinta anos para tirar do papel. O roteiro adapta o romance de Shūsaku Endō, publicado em 1966, e joga o espectador no Japão do século XVII, quando o xogunato Tokugawa declarou o cristianismo ilegal.

Na prática, o filme acompanha a busca desesperada de dois padres jesuítas pelo antigo mentor que supostamente teria apostatado a fé. Andrew Garfield vive o padre Sebastião Rodrigues, e Adam Driver interpreta Francisco Garupe, o companheiro de viagem.

A história funciona como uma road movie espiritual: cada vilarejo japonês visitado é uma armadilha, uma escolha moral ou um túmulo. O resultado é menos um épico missionário e mais uma investigação sobre o que vale a pena trair para continuar acreditando.

Quando estreou e por que ele importa

Silêncio chegou aos cinemas brasileiros em 9 de março de 2017, distribuído pela Imagem Filmes, depois de uma campanha de festivais que passou por Veneza e pela Telluride. A espera por uma adaptação do livro de Endō atravessou décadas: Scorsese comprou os direitos ainda nos anos 1990 e chegou a flertar com o projeto em diferentes momentos da carreira.

O longa recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Fotografia para Rodrigo Prieto, mas acabou voltando para casa sem estatueta. Mesmo assim, consolidou-se como o capítulo mais introspectivo da filmografia do diretor, ao lado de clássicos como Taxi Driver e Os Bons Companheiros.

Hoje, Silêncio é citado como referência obrigatória em listas de cinema religioso e histórico dos anos 2010, justamente por tratar fé e apostasia sem maniqueísmo. É também um dos títulos preferidos de quem estuda as representações do Japão feudal no cinema ocidental.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a fotografia de Rodrigo Prieto transforma as paisagens de Taiwan (no lugar do Japão) em algo quase pictórico, e a direção de Scorsese finalmente encaixa o tom contemplativo sem abrir mão da tensão. O terceiro ato, centrado no interrogatório conduzido por Tadanobu Asano, é onde o filme alcança seu ápice dramático.

Ponto fraco: a duração de 159 minutos cobra caro do espectador menos paciente. O ritmo deliberadamente lento pede entrega total, e algumas sequências de martírio repetem o mesmo impacto, tirando peso das últimas execuções. Quem busca ação ou mesmo catarse religiosa fácil pode se frustrar.

Curiosidades de bastidores

  • Scorsese começou a tentar adaptar o romance de Endō em 1989, quase trinta anos antes da estreia, tendo Daniel Day-Lewis, Gael García Bernal e até Ken Watanabe cotados em diferentes fases do desenvolvimento.
  • As filmagens aconteceram em Taiwan, não no Japão, porque a ilha oferecia florestas, vilarejos e arquitetura tradicional compatíveis com o período Edo, além de incentivos fiscais mais vantajosos.
  • Rodrigo Prieto, indicado ao Oscar por este trabalho, repetiu a parceria com Scorsese em O Que Será de Nozes? e no futuro The Irishman, consolidando uma das duplas mais regulares do cinema americano contemporâneo.

Perguntas frequentes sobre Silêncio

Silêncio tem cena pós-créditos?

Não. O longa termina exatamente no corte final, com o letreiro dedicado à memória dos missionários. Pode levantar e ir embora antes dos créditos rolarem.

Silêncio é baseado em fatos reais?

É baseado no romance histórico de Shūsaku Endō, que pesquisou cartas reais de jesuítas no Japão do século XVII. A perseguição aos cristãos é um capítulo documentado, embora os personagens centrais sejam fictícios.

Silêncio é um filme religioso?

É um drama sobre fé, mas não uma peça de devoção. Scorsese usa a história para questionar a ideia de Deus e o silêncio dele diante do sofrimento, sem oferecer respostas fáceis.

Pra quem é este filme:

  • Leitores de literatura religiosa e filosófica: fãs de Shūsaku Endō, Thomas Merton e Simone Weil encontram aqui uma adaptação rara, que trata dúvida e fé como parceiras, não inimigas.
  • Cineastas e estudantes de cinema: a fotografia de Rodrigo Prieto, a montagem de Thelma Schoonmaker e a reconstituição histórica valem uma análise quadro a quadro, especialmente comparada a A Lista de Schindler.
  • Entusiastas de cinema japonês e história do período Edo: quem gosta de samurais reais (não estilizados) e de dramas sobre contato cultural vai reconhecer o cuidado com figurino, rituais e língua.