Sessão Especial I
O que é Sessão Especial I
Exibido em sessão especial nos cinemas brasileiros, o longa Zama é uma coprodução entre Brasil, EUA e Portugal, dirigida por Lucrecia Martel.
Baseado no romance de Antonio di Benedetto, o filme acompanha Don Diego de Zama, funcionário colonial espanhol atolado numa vila remota na fronteira com o Paraguai, no fim do século XVIII.
Ele espera há anos uma carta do vice-rei que o transfira para Buenos Aires. A carta nunca chega, e o protagonista começa a perder o chão entre burocracia, tédio e pequenas violências do cotidiano.
Mais do que contar uma história linear, Martel usa o impasse de Zama para retratar a decadência do poder colonial visto de dentro, nos seus bastidores cinzentos.
Linha do tempo e legado
Zama estreou no Festival de Veneza em 2017, onde concorreu ao Leão de Ouro, e chegou ao circuito internacional em 2018. A estreia no Brasil aconteceu em circuito limitado, justamente em sessões especiais, formato voltado a cinéfilos e cinéfilas que acompanham o cinema de arte da diretora.
O longa representou um marco: foi a primeira vez que Lucrecia Martel, reconhecida por O Pântano e A Menina Santa, trabalhou fora da Argentina, com produção majoritária brasileira.
Embora tenha ficado fora das grandes premiações globais, o filme entrou no circuito de festivais, recebeu elogios da crítica internacional e se firmou como um dos títulos mais discutidos do cinema latino-americano recente, citado ao lado de obras como A Mulher Sem Cabeça.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de Lucrecia Martel é cirúrgica. Os enquadramentos apertados, a textura da imagem e uma trilha sonora que funciona quase como pressão atmosférica prendem o espectador pelo desconforto.
O roteiro também acerta ao tratar o colonialismo sem didatismo, deixando a violência política emergir dos gestos cotidianos do protagonista.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem busca uma narrativa com começo, meio e fim claros pode sair frustrado, já que Zama aposta mais em sensação do que em plot twists.
Há também um humor involuntário em alguns trechos, fruto do absurdo burocrático vivido pelo personagem, que divide opiniões.
Curiosidades de bastidores
- As filmagens aconteceram em locações no Brasil, especialmente em construções coloniais do Nordeste, para recriar a fronteira paraguaia do século XVIII.
- A produção do filme é majoritariamente brasileira, o que explica a exibição em sessões especiais no circuito nacional.
- Lucrecia Martel escalou Matheus Nachtergaele após admirá-lo em produções brasileiras, em um dos raros papéis não argentinos de sua filmografia.
Perguntas frequentes sobre Sessão Especial I
Sessão Especial I é o mesmo filme que Zama?
Sim. Zama, de 2017/2018, está sendo exibido no Brasil em sessões especiais, e o filme é o mesmo em todos os casos.
Sessão Especial I tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina com uma sequência final longa e seca, sem cenas extras após os créditos.
Quem é a diretora de Sessão Especial I?
A argentina Lucrecia Martel, autora também de A Menina Santa, O Pântano e A Mulher Sem Cabeça, considerada uma das vozes mais autorais do cinema latino-americano contemporâneo.
Pra quem é este filme:
- Leitoras e leitores de ficção histórica latino-americana e da obra de Antonio di Benedetto.
- Fãs de cinema de arte com recorte político, na linha de Lucrecia Martel e dos últimos filmes de Miguel Gomes.
- Público que curte longas contemplativos, com ritmo lento e atenção a detalhes de figurino, som ambiente e arquitetura colonial.