Royal Opera House: Così Fan Tutte
O que esperar do filme
A nova produção de Così fan tutte chega aos cinemas brasileiros como transmissão ao vivo direto do palco do Royal Opera House, em Londres. A montagem marca a estreia do diretor Jan Philipp Gloger na casa londrina, um dos templos mais respeitados da lírica mundial.
A obra é uma das óperas mais discutidas de Mozart, com libreto de Lorenzo Da Ponte. O enredo é aparentemente simples: dois rapazes apostam com um velho cínico que suas namoradas são fiéis. O que vem depois envolve disfarces, sedução e um teste cruel aos sentimentos.
A versão de Gloger propõe uma leitura contemporânea sem romper a estrutura clássica da partitura. Para o público que aprecia ópera, é a chance de conferir uma nova visão de um título obrigatório do repertório.
Estreia e legado
A ópera original estreou em 1790, no Burgtheater de Viena, e causou polêmica imediata. A plateia da época estranhou o libreto de Da Ponte, que tratava fidelidade e infidelidade com ironia ácida. Mozart tinha acabado de colaborar com Da Ponte em As bodas de Fígaro e entregava aqui mais uma joia do repertório.
Ao longo de mais de dois séculos, Così fan tutte se consolidou como a terceira peça da famosa trilogia Da Ponte de Mozart, ao lado de Don Giovanni e As bodas de Fígaro. É hoje uma das óperas mais encenadas do mundo, sempre dividida entre os que a acham misógina e os que a consideram uma reflexão brilhante sobre a natureza humana.
A presente produção foi exibida nos cinemas como parte da temporada 2023/2024 do Royal Opera House, integrando o circuito global de transmissões ao vivo. A expectativa é de público cativo em sessões únicas, com ingressos disputados nas principais capitais.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a produção traz figurinos e cenografia que atualizam a trama sem descaracterizar a partitura de Mozart. A leitura de Gloger privilegia o humor cortante do libreto.
Ponto alto: a transmissão ao vivo em cinema preserva a acústica da sala, algo raro fora de Londres. Para quem nunca viu ópera ao vivo, é uma porta de entrada acessível.
Ponto fraco: com 210 minutos, a sessão exige paciência. O segundo ato, mais introspectivo, exige do espectador mais familiaridade com o gênero para render.
Ponto fraco: o público que não domina o italiano pode depender das legendas, o que exige divisão de atenção entre texto e palco.
Curiosidades
- A ópera foi a última colaboração entre Mozart e o librettista Lorenzo Da Ponte, encerrando a famosa trilogia iniciada com As bodas de Fígaro e seguida por Don Giovanni.
- O título Così fan tutte significa "Assim fazem todas" e refere-se às mulheres, segundo o cínico Don Alfonso. A frase gerou controvérsia em 1790 e segue provocando debates hoje.
- Jan Philipp Gloger é diretor alemão reconhecido no circuito europeu de ópera, com passagens por casas como Komische Oper Berlin. Esta foi sua primeira produção no Royal Opera House.
Perguntas frequentes
Royal Opera House: Così Fan Tutte é filme ou ópera?
É uma ópera de Mozart exibida em cinemas como evento especial. Trata-se de transmissão ao vivo da produção encenada no Royal Opera House, em Londres.
Qual a duração da apresentação?
São 210 minutos no total, considerando os dois atos e os dois intervalos tradicionais da obra.
Tem cena pós-créditos?
Não. Por se tratar de uma apresentação de ópera, não há cena pós-créditos. O encerramento segue o protocolo habitual das récitas líricas.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Mozart e do repertório lírico clássico que acompanham temporadas internacionais
- Quem cultiva o hábito de assistir transmissões ao vivo do Royal Opera House em cinema
- Estudantes e apreciadores de artes cênicas interessados em leituras contemporâneas de obras canônicas