Rose
Um soldado, um vilarejo e uma farsa devagar
Em meio ao caos da Guerra dos Trinta Anos, no início do século XVII, um soldado bate às portas de um vilarejo protestante isolado na Alemanha. Ele diz ser dono de uma propriedade abandonada nas redondezas e, aos poucos, vai sendo aceito pela comunidade exausta. Ninguém confirma de onde ele veio, mas todos precisam acreditar em alguma coisa para seguir em frente.
Dirigido por Markus Schleinzer, Rose usa o cenário histórico apenas como moldura. O motor do filme é outro: a construção paciente de uma mentira que ninguém quer confrontar. Cada gesto do protagonista é observado, cada silêncio é pesado, e a desconfiança nunca some de verdade — ela apenas se acomoda.
Para quem curte ficção europeia de câmera contida e drama psicológico, o longa encontra um ritmo raro: sem pressa de revelar, mas sempre acrescentando tensão.
De Berlim para os cinemas: a trajetória de Rose
Rose estreou mundialmente na competição principal do Festival de Berlim 2026, um dos cenários mais prestigiados do cinema autoral europeu. A presença na disputa pelo Urso de Ouro já coloca o longa no radar de cinéfilos antes mesmo de chegar ao circuito comercial.
O grande destaque da passagem pelo festival foi Sandra Hüller, que levou o Urso de Prata de Melhor Atriz por sua atuação no filme. É mais um capítulo importante na carreira da atriz, conhecida por trabalhos densos como Anonyma - Uma Mulher em Berlim, Toni Erdmann e Movimento Browniano.
No Brasil, a distribuição segue em estágio inicial. A estreia está prevista para 31 de dezembro de 2025, com circuito limitado focado em salas de arte. A expectativa é de plateiras pequenas, mas de debates densos entre quem prestigia o cinema germânico contemporâneo.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Sandra Hüller entrega uma interpretação contida e magnética. A direção de Markus Schleinzer é econômica, seca, quase cirúrgica. A fotografia aposta em luz natural e sombras duras, criando um clima de constante suspeita. Os 93 minutos passam sem arrasto.
Ponto fraco: O longa exige do espectador uma entrega quase contemplativa. Quem busca reviravoltas dramáticas explícitas ou respostas narrativas claras pode se frustrar. O ritmo é lento por intenção, não por acaso.
Curiosidades dos bastidores
- A produção é uma coprodução entre Áustria e Alemanha, países com histórico forte em dramas históricos austeros.
- O elenco mistura veteranos do cinema germânico, como Robert Gwisdek e Godehard Giese, com nomes mais jovens.
- A escolha pela Guerra dos Trinta Anos como pano de fundo não é só estética: o período marcou a destruição massiva de vilarejos protestantes.
Perguntas frequentes
Rose tem cena pós-créditos? Não. O longa encerra em tom melancólico e sem qualquer gancho extra após os créditos finais.
Rose é baseado em fatos reais? Não. A história é uma ficção ambientada no início do século XVII, usando a Guerra dos Trinta Anos apenas como contexto, não como reconstituição documental.
Rose é parecido com Toni Erdmann? Não no tom. Toni Erdmann é uma comédia tragicômica; Rose é um drama silencioso e histórico. O ponto em comum é apenas a presença de Sandra Hüller no elenco.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema alemão contemporâneo, especialmente quem acompanha a filmografia de Sandra Hüller e Amour Fou.
- Leitores de história da Guerra dos Trinta Anos e da Reforma Protestante interessados em ficções sobre fanatismo religioso.
- Espectadores de dramas psicológicos silenciosos, do tipo que valorizam atmosfera e ambiguidade em vez de plot twists.
Título original: Rose
País de origem: Áustria, Alemanha
Data do lançamento: 31/12/2025
Distribuidora: Festival
Diretor: Markus Schleinzer
Principais atores: