Veja o trailer do filme Roman J. Israel, Esq.
O que esperar do filme
Roman J. Israel, Esq. é um drama jurídico escrito e dirigido por Dan Gilroy, o mesmo criador de O Abutre e Presságios de um Crime.
A história acompanha um advogado que passou décadas sendo o motor invisível de uma pequena firma de direitos civis em Los Angeles.
Ele conhece cada caso, cada cliente, cada brecha legal — mas nunca aparece na frente, nunca dá entrevistas, nunca assina os memorandos.
Quando o sócio carismático que fazia essa ponte com o mundo externo morre, Roman vira o próprio rosto do escritório. Só que o escritório não sobrevive sem ele.
Forçado a aceitar uma vaga no escritório corporativo de um antigo adversário, ele descobre que o novo chefe, vivido por Colin Farrell, joga um jogo bem diferente — onde a justiça tem prazo, orçamento e custas a serem negociadas.
Estreia e legado
Roman J. Israel, Esq. estreou no Festival de Toronto em setembro de 2017 e chegou aos cinemas norte-americanos ainda em novembro daquele ano, embalado por uma forte campanha de Oscar.
A Sony apostou em uma estratégia de prestígio, lançando o longa em poucas salas e expandindo aos poucos — uma tática típica de filmes de dramaadulto em um mercado dominado por blockbusters.
O grande trunfo da campanha foi a atuação de Denzel Washington, que rendeu ao ator sua oitava indicação ao Oscar, desta vez como Melhor Ator.
Não levou a estatueta, mas o personagem entrou para o panteão dos papéis "não-vencedores" marcantes do ator, ao lado de O Voo.
Hoje, o filme é lembrado como uma peça curiosa da filmografia de Gilroy: o cineasta trocou o suspensenoturno e urbano de O Abutre por uma reflexão de gabinete sobre ativismo, burnout e a tentação do pragmatismo.
Cultuado em cursos de roteiro e em listas de "diamantes brutos" de Denzel, o título nunca virou hit popular — e talvez nem tenha esse objetivo.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a interpretação de Denzel Washington é um daqueles trabalhos de dentro para fora, com sotaque, postura e tiques físicos de um advogado que vive mais nos livros do que na rua.
O roteiro de Gilroy é inteligente ao transformar um escritório de advocacia em arena moral, e Colin Farrell entrega um antagonista corporativo que mais incomoda do que ameaça.
Ponto fraco: o terceiro ato escorrega para decisões de personagem melodramáticas que enfraquecem a tese original, e o ritmo pede paciência — não é um filme de suspensetradicional, é um dramade teses.
Curiosidades dos bastidores
- Dan Gilroy escreveu o roteiro pensando em Roman como um personagem sem pressa, quase oposto ao ritmo frenético de O Abutre — daí a divisão de quem amou e de quem achou arrastado.
- Denzel Washington ganhou 15 quilos para o papel e passou meses estudando a postura e a cadência de advogados de causas civis de Los Angeles.
- Colin Farrell gravou suas cenas em pouco mais de duas semanas, em um cronograma apertado entre O Assassinato de Gianni Versace e outras produções da época.
Perguntas frequentes
Roman J. Israel, Esq. tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina em fade e sem teasers extras, mantendo o tom fechado de dramaadulto.
É baseado em fatos reais?
Não. A história é original de Dan Gilroy, inspirada em figuras reais do direito civil dos Estados Unidos, mas Roman é um personagem ficcional.
Denzel Washington ganhou algum prêmio pelo filme?
Recebeu indicação ao Oscar de Melhor Ator e ao Globo de Ouro de Melhor Ator em Drama, mas não levou nenhum dos dois.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas jurídicos adultos no estilo Erin Brockovich e A Um Passo da Liberdade.
- Quem acompanha a filmografia de Denzel Washington em busca de papéis densos, como em O Voo e Um Limite entre Nós.
- Leitores de não-ficção sobre direito civil, ativismo jurídico americano e dilemas éticos de grandes bancas.