Veja o trailer do filme Rock the Casbah
Rock the Casbah
Do terraço de Gaza, quatro soldados tentam entender a guerra
Em 1989, durante a Primeira Intifada, um grupo de soldados israelenses patrulha Gaza para vigiar a população árabe. A missão muda de tom quando um deles morre atingido por uma máquina de lavar arremessada de um prédio.
Quatro jovens são escalados para investigar o caso. Eles se instalam no terraço de uma família palestina e passam a observar a vizinhança como se fosse um mapa vivo, tentando encaixar os culpados e a si mesmos naquele quebra-cabeça.
É desse lugar improvisado, entre uma antena e varais de roupa, que nasce a comédia dramática de Rock the Casbah: um filme sobre guerra, mas também sobre tédio, família e as pequenas negocições do dia a dia sob ocupação.
De Berlim 2013 ao circuito alternativo brasileiro
Rock the Casbah estreou na mostra Panorama do Festival de Berlim em 2013, mesmo ano em que chegou ao Brasil em circuito limitado, no dia 31 de dezembro. A sessão de fim de ano ajudou a consolidar o filme como cultuado entre fãs de cinema árabe e do cinema israelense dos anos 2000.
Co-dirigido por Laïla Marrakchi e Yariv Horowitz, o longa chamou atenção por misturar a sensibilidade de Marrakchi, conhecida por Marock, com a vivência militar de Horowitz. O resultado é um filme pouco lembrado nas listas de melhores do ano, mas que mantém uma base fiel entre quem pesquisa drama político com olhar humanista.
Hoje, o longa circula mais em mostras, streamings especializados e sessões comentadas do que em TV aberta. É peça de colecionador de cinema marginal e assunto frequente em cineclubes sobre representação árabe.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o elenco feminino é a verdadeira estrela. Morjana Alaoui, Nadine Labaki, Lubna Azabal e Hiam Abbass entregam atuações contidas, com química rara entre mãe, filhas e vizinha. O terraço funciona como metáfora visual eficiente: de cima, todos julgam; de baixo, todos sobrevivem.
Ponto fraco: o ritmo é irregular. A primeira metade demora a encontrar foco e aposta em diálogos expositivos demais. Quem busca ação militar ou tensão contínua vai sair frustrado. É um filme de espera, não de confronto.
Curiosidades de bastidor
- O título é uma referência indireta à música de The Clash, embora o longa não use a faixa na trilha.
- A direção dividiu tarefas: Laïla Marrakchi ficou com as cenas da família palestina e Yariv Horowitz, ex-soldado, comandou as sequências militares.
- A abertura na Berlinale foi elogiada pela crítica europeia justamente pelo tom híbrido entre comédia e observação política, raro em filmes sobre o tema.
Perguntas frequentes
Rock the Casbah é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficcional, mas se inspira em relatos e experiências de soldados israelenses em Gaza durante a Primeira Intifada, no fim dos anos 1980.
Rock the Casbah tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina antes dos créditos com uma imagem silenciosa que fecha o tom agridoce da narrativa.
Rock the Casbah é um filme de guerra?
É mais um drama de guerra do que um filme de ação bélica. A câmera quase nunca sai do terraço e o conflito aparece pelo som, pela rotina e pelo olhar dos personagens, como em Luz no fim do túnel.
Pra quem é este filme:
- Quem curte cinema árabe e israelense fora do circuito hollywoodiano, tipo fãs de Incêndios (2024).
- Leitores de não-ficção política sobre conflito israelo-palestino e Primeira Intifada.
- Frequentadores de cineclube que gostam de comparar dramas de guerra com obras como O ÍDOLO (2017).
Título original: Rock ba'Kasba
País de origem: França
Data do lançamento: 31/12/2013
Diretor: Laïla Marrakchi, Yariv Horowitz
Principais atores: