Remake, Remix, RipOff

Remake, Remix, RipOff

12 Documentário Duração: 1h 50min

O documentário que escava o cinema paralelo da Turquia

Nos anos 1960 e 1970, a Turquia virou um dos maiores polos de produção cinematográfica do mundo. O segredo? A indústria simplesmente copiava roteiros de blockbusters internacionais e regrava tudo com elenco e orçamento locais.

Dirigido por Cem Kaya, Remake, Remix, RipOff mergulha nessa lógica industrial: Tarzan, Drácula, Star Trek e dezenas de outros títulos ganharam versões turcas filmadas às pressas, com criatividade improvisada e elencos que acumulavam até três papéis por dia.

Para quem gosta de documentário sobre cultura pop e margens do cinema mundial, o filme funciona como uma arqueologia visual daquela época.

Estreia, legado e como o filme é lembrado

O documentário foi apresentado no Festival de Locarno em 2014, onde chamou atenção da crítica europeia por expor um capítulo praticamente invisível da história do cinema. A estreia nos cinemas brasileiros aconteceu em 16 de março de 2017, em circuito alternativo, e o longa rodou em mostras e sessões especiais voltadas a cinéfilos.

Passados alguns anos, Remake, Remix, RipOff virou referência obrigatória para discutir o cinema Yeşilçam, a estética dos copiões e a relação entre cópia e reinvenção. É citado com frequência em ensaios sobre globalização audiovisual e influência cultural.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a curadoria de trechos é viciante. Assistir a Tarzan de smoking ao som de música turca, ou a Spock com bigode em baixa resolução, é genuinamente divertido. As entrevistas com veteranos como Cüneyt Arkin e Çetin Inanç têm humor involuntário e uma honestidade que prende.

Ponto fraco: o ritmo é irregular. Há sequências quase letárgicas, especialmente nas primeiras cenas, que tentam contextualizar a indústria antes de entrar no material empolgante. Quem espera dinamismo de vídeo de YouTube pode achar lento.

Curiosidades de bastidor

  • O título é uma declaração de intenções: remakes, remixes e rip-offs definem a estratégia da indústria turca nas décadas analisadas.
  • Muitos astros turcos, incluindo Izzet Günay e Esref Kolçak, chegavam a gravar três filmes simultaneamente, mudando de figurino entre as tomadas.
  • O documentário exibe trechos que ficaram perdidos por décadas, resgatados de arquivos privados e cinematecas regionais da Turquia.

Perguntas frequentes

Remake, Remix, RipOff é documentário ou ficcão? É um documentário. Compila entrevistas, cenas de filmes antigos e material de arquivo sobre a indústria cinematográfica turca dos anos 1960 e 1970.

Quem é o diretor Cem Kaya? Cineasta de origem turca radicado na Alemanha, Cem Kaya é conhecido por investigações sobre a diáspora turca e a cultura Yeşilçam, com obras exibidas em Locarno e outros festivais europeus.

O filme tem cena pós-créditos? Não. A narrativa se encerra antes dos créditos finais, sem gancho extra ou sequência adicional.

Pra quem é este filme:

  • Entusiastas de cinema de exploitation e filmes B que colecionam DVDs raros e frequentam screenings de madrugada.
  • Curiosos por cultura pop internacional pouco documentada no Brasil, especialmente quem acompanha canais e livros sobre cinematografias asiáticas e do Oriente Médio.
  • Pesquisadores e estudantes de comunicação e cinema interessados em propriedade intelectual, apropriação cultural e história da indústria audiovisual.

Título original: Remake, Remix, RipOff

País de origem: Alemanha, Turquia

Data do lançamento: 16/03/2017

Diretor: Cem Kaya

Principais atores: