Veja o trailer do filme Ralé

Ralé

Ralé

14 Drama Duração: 1h 13min

O filme que se filma dentro do filme

Dirigido por Helena Ignez, Ralé adota a estrutura de mise en abyme: adolescentes prodígios do cinema estão gravando um longa fictício chamado A Exibicionista em uma fazenda no coração da Amazônia brasileira.

É nesse território simbólico que mora Barão, personagem de Ney Matogrosso, prestes a oficializar a união com o dançarino Marcelo. A floresta vira personagem e cenário de um casamento que é também manifesto.

A obra se assume como filme filosófico e musical, livremente inspirada na peça de Maxim Gorki. O que se vê é menos uma narrativa tradicional e mais uma investigação sobre desejo, corpo e identidade nacional.

Estreia e legado

Ralé chegou aos cinemas brasileiros em 2 de março de 2015, em circuito restrito, como é típico do cinema de autor nacional.

É um trabalho que dialoga diretamente com a história do cinema marginal brasileiro, do qual Helena Ignez é uma das figuras fundadoras. O longa atualiza esse legado com temática queer explícita e recorte amazônico raro no circuito comercial.

Para quem se interessa pelo cinema transgressor de Ignez, vale o confronto com Lavoura Arcaica e com Não Devore meu Coração, obras que também tensionam forma e conteúdo.

Vale o ingresso?

Ponto alto: Ney Matogrosso entrega uma presença cênica magnética, e a direção de Helena Ignez tem coragem estética rara. O casamento homoafetivo tratado como ritual sagrado, com a floresta como testemunha, é das imagens mais bonitas do cinema brasileiro recente.

Ponto fraco: a narrativa fragmentada lembra vídeo-arte exibida em museu. Quem busca drama convencional com arco claro vai sair frustrado em vários momentos.

Com 73 minutos, o filme não perde tempo, mas também não explica demais. Exige espectador disposto a ser conduzido sem mapa.

Curiosidades

  • Helena Ignez é uma das fundadoras do cinema marginal brasileiro nos anos 1960, o que dá a Ralé um peso de revisão histórica do próprio movimento.
  • O longa é livremente inspirado na peça Ralé do russo Maxim Gorki, mas a transposição para a Amazônia transforma o subproletariado gorkiano em comunidade queer contemporânea.
  • A presença de Ney Matogrosso marca uma das raras vezes em que o cantor assume um papel central no cinema, diferente das participações pontuais que costuma fazer.

Perguntas frequentes

Ralé tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina de forma seca, dentro do espírito experimental da proposta. Não há cena extra após os créditos.

Ralé é baseado em qual livro?

O longa é livremente inspirado na peça teatral Os Baixados (também conhecida como Ralé), do dramaturgo russo Maxim Gorki, autor de Os de Baixo.

Quem dirige Ralé?

A direção é de Helena Ignez, ícone do cinema marginal brasileiro e atriz de filmes como O Crime da Gávea.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema marginal brasileiro e da filmografia de Helena Ignez que querem ver a diretora revisitando suas obsessões.
  • Espectadores que curtem ensaios audiovisuais sobre identidade queer, como Love Film Festival e Lampião da Esquina.
  • Quem acompanha a carreira de Ney Matogrosso além da música e se interessa por suas raras incursões cinematográficas.