Do xadrez ao palco
Vince Everett entra no sistema prisional por causa de uma noite mal-sorteada. A briga não era dele, mas a conta veio.
Lá dentro, o companheiro de cela descobre o que Vince ainda não sabia: ele tem voz para o rock. Quando ganha a liberdade, Everett atravessa a porta da prisão direto para o palco de uma boate.
Prisioneiro do Rock mistura cela, gravadora e guitarra num único giro. O longa de 1957 é a terceira incursão de Elvis Presley no cinema e o papel que finalmente decolou sua carreira em Hollywood.
Estreia e legado
Prisioneiro do Rock chegou aos cinemas americanos em 17 de novembro de 1957, apenas dois meses depois do filme anterior de Elvis, Loving You. A MGM apostou forte e acertou: o longa faturou cerca de 4,5 milhões de dólares nas bilheterias domésticas, um valor expressivo para a época.
O número-título Jailhouse Rock virou marco. A coreografia em que Elvis encara um presidiário dentro de uma cela acabou copiada em clipes de Michael Jackson, reproduzida no filme Blues Brothers 2000 e parodiada em animações como Os Simpsons. Mais de sessenta anos depois, a sequência segue como aula de presença de palco.
O roteiro é simples, quase esquemático, mas funciona como espelho de um país que começava a ver o rock como fenômeno de massa. Para colecionadores de memorabilia, o filme é peça obrigatória: o estilo de Vince Everett, com jaqueta de couro e topete, virou uniforme involuntário do rockeiro dos anos 1950.
Hoje, Prisioneiro do Rock é estudado em cursos de cinema e história da cultura pop, aparece em listas de melhores musicais de todos os tempos e segue sendo reprisado em mostras clássicas ao redor do mundo.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a sequência de Jailhouse Rock. Câmera dinâmica, figurino icônico e uma coreografia que ainda hoje dita regra. É o tipo de cena que você revê só para estudar o ritmo.
A trilha sonora funciona como personagem. Canções como Treat Me Nice e Don't Leave Me Now sustentam o filme mesmo nos momentos em que o roteiro engasga.
Ponto fraco: o roteiro é linear demais. A transformação de presidiário em astro do rock acontece com atalhos enormes, e algumas cenas dramáticas soam ingênuas para o espectador de hoje.
Elvis ainda era ator iniciante e aparece travado nas cenas de diálogo. A salvação vem justamente quando ele canta, porque ali o carisma é bruto e não precisa de texto.
Curiosidades
- Elvis gravou a trilha sonora em apenas três dias, e o produtor supostamente rasgou uma fita de Jailhouse Rock achando que era cover de outro artista antes de perceber o erro.
- A jaqueta usada por Elvis no filme foi arrematada por 52 mil dólares em leilão da Christie's em 2009.
- Judy Tyler morreu em 3 de julho de 1957, três meses antes da estreia, junto com seu marido, Gregory La Cava Jr., em um acidente de carro na fronteira entre Wyoming e Dakota do Sul.
Perguntas frequentes
Prisioneiro do Rock tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina nos créditos tradicionais, sem teaser ou cena extra depois.
Prisioneiro do Rock é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficção, embora o roteiro de Guy Trosper tenha se inspirado no contraste entre a imagem rebelde de Elvis e sua personalidade real.
Onde assistir Prisioneiro do Rock online?
O filme já passou por catálogos de streaming e relançamentos em edição restaurada. Confira a grade atualizada na seção de programação desta página para ver cinemas e plataformas que exibem o longa.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Elvis Presley e da era de ouro do rock dos anos 1950, que colecionam discos de vinil e conhecem cada faixa do rei.
- Apaixonados por musicais clássicos que curtem o ritmo de Gene Kelly, Judy Garland e Fred Astaire e querem ver o gênero dialogando com o rock.
- Estudiosos de cultura pop e moda vintage, interessados em como o visual jaqueta-de-couro + topete virou uniforme do rebelde nas telas.