Veja o trailer do filme Por Aqui e Por Ali
Dois seniores, uma trilha e 3.500 km pela frente
Bill Bryson (Robert Redford) passou duas décadas morando na Inglaterra e decide voltar aos Estados Unidos em plena terceira idade. Para matar a saudade e entender o que sobrou da terra natal, ele topa uma ideia pouco sensata: refazer a lendária Trilha dos Apalaches a pé.
Só que ninguém encara 3.500 km sozinho, então ele convence o velho amigo Stephen Katz (Nick Nolte), um divorciado em forma duvidosa, a embarcar na aventura. O que era para ser um retiro contemplativo vira uma sucessão de pernas inchadas, chuva, baratas em mochilas e conversas que nenhum dos dois teria coragem de ter em casa.
É um road movie a pé, com cara de filme para quem curte aventura sem explosões, só com botas, blusões e crises existenciais leves.
De best-seller a sessão de tarde
Lançado em 2015, o longa adapta o livro de memórias de Bill Bryson, publicado em 1998 e convertido em clássico moderno da literatura de viagem. A produção custou cerca de US$ 28 milhões e recuperou pouco mais de US$ 36 milhões no mundo todo, números modestos que confirmaram seu perfil de sessão para o público adulto.
Foi apresentado fora de competição no Festival de Berlim, numa aposta clara pelo público acima dos 50 anos. Redford, na época com 79 anos, vinha de uma sequência de filmes sobre velhice e amizade masculina que se tornou quase uma marca autoral tardia dele. Hoje, o filme é lembrado como um item de catálogo firme no streaming, daqueles que aparecem quando você procura "filme leve com Robert Redford" e entrega exatamente o que promete.
Vale o ingresso?
O ponto alto é a dupla central. Redford e Nolte funcionam como dois velhos amigos que se toleram pelo histórico, e a câmera aproveita bem a maturidade deles, sem apelar para o humor pastelão.
As paisagens dos Apalaches também vendem o filme sozinhas, com fotografia externa assinada por John Bailey que respira ar puro.
O ponto fraco é o roteiro. O terceiro ato perde fôlego, entra em resoluções açucaradas e usa personagens coadjuvantes (Emma Thompson, Nick Offerman, Kristen Schaal) como pontas soltas que aparecem, dão uma tirada e somem.
Não é um filme para quem busca ritmo ou reviravoltas, e sim para quem aceita um passeio calmo com boas pausas para respirar.
Curiosidades de bastidor
- O diretor Ken Kwapis já tinha dirigido Robert Redford anos antes em Querido Warren, o que facilitou a química entre os dois.
- Apesar de a Trilha dos Apalaches ser real e ter 3.500 km, boa parte do filme foi rodada em locações da Geórgia, longe da rota original.
- Bill Bryson, o autor do livro, fez uma ponta rápida como personagem de fundo em uma cena de hotel, sem créditos.
Perguntas frequentes
Por Aqui e Por Ali é baseado em fatos reais?
Sim. O filme adapta o livro de memórias de Bill Bryson, que conta a própria tentativa de refazer a Trilha dos Apalaches com o amigo Stephen Katz, embora a versão cinematográfica simplifique bastante a jornada real.
Quem é o diretor de Por Aqui e Por Ali?
A direção é de Ken Kwapis, cineasta conhecido por comédias como Querido Warren e episódios de séries como The Office e Malcolm in the Middle.
Por Aqui e Por Ali tem cena pós-créditos?
Não. O filme encerra nos créditos finais, sem teaser nem gag extra, então não é preciso esperar sentado quando o letreiro subir.
Pra quem é este filme:
- Fãs de road movies introspectivos tipo Sideways e Wild, que preferem estrada interna à fuga de bandidos.
- Leitores de literatura de viagem e jornalismo narrativo, habituados a nomes como Bill Bryson, Paul Theroux e Cheryl Strayed.
- Quem curte drama de amizade masculina adulta, sem romances mirabolantes nem mocinhos jovens salvando o mundo.