Veja o trailer do filme Pinta
Pinta
O que é Pinta
Documentário experimental do diretor Jorge Alencar sobre sexualidade, sexo e corpo como matéria-prima artística. O filme se assume como obra underground e trash, recusando qualquer convenção didática ou narrativa linear.
A proposta é simples na teoria e radical na execução: performances, colagens e cenas captadas de forma intermitente, quase como fragmentos de um diário audiovisual. Nada ali busca explicar — o filme provoca e escapa.
Com 72 minutos, a obra dialoga com o espetáculo e o drama em sua forma mais visceral, aproximando-se também de experiências vistas em Sinfonia da Necrópole e A Finada Mãe da Madame.
Origem e contexto
Pinta chega ao circuito alternativo brasileiro com a marca de produção independente de baixo orçamento, típico das obras que circulam em festivais e mostras de cinema de vanguarda.
Não é um filme de grande público nem busca repercussão comercial. Sua existência já é um ato de resistência: produzir cinema experimental sobre sexualidade no Brasil exige freadas constantes à autocensura.
A recepção em mostras especializadas foi discreta, mas respeitada. O longa encontrou seu público entre programadores de festivais, pesquisadores de cinema de corpo e espectadores que consomem o que há de mais radical na produção nacional — uma trinca que também valoriza obras como As Boas Maneiras e O Animal Cordial.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a coragem formal de Alencar. O filme não pede licença, não faz acordo com o espectador e entrega uma experiência genuinamente fora do eixo. Em tempos de pasteurização audiovisual, isso vale por si só.
Ponto alto (técnico): as performances têm verdade. O elenco — com nomes como Harildo Deda, Eduardo Gomes e Neto Machado — entrega o corpo sem proteção.
Ponto fraco: a estrutura intermitente cobra caro. Em mais de um momento a montagem fragmentada provoca cansaço, e a sensação de obra inacabada pode frustrar quem espera um statement mais preciso.
Ponto fraco: o trash nem sempre vira linguagem. Há cenas que poderiam ser mais curtas, sequências que se repetem sem acrescentar camadas.
Curiosidades
- Jorge Alencar acumula as funções de diretor, ator e curador da própria obra — o filme é, em parte, um autorretrato de processo.
- A produção circulou por mostras alternativas antes de ganhar distribuição mais ampla, reforçando seu caráter de obra de circuito.
- A montagem fragmentada foi pensada como colagem: as cenas foram organizadas por afinidade estética, não por ordem cronológica ou temática.
Perguntas frequentes
Pinta é um documentário convencional?
Não. É um documentário experimental que mistura performance, colagem e registros intermitentes. Não espere entrevistas, narração ou estrutura tradicional.
Pinta tem cena pós-créditos?
Não há cena pós-créditos. O filme termina abruptamente, como parte da proposta estética.
Pinta é recomendado para qualquer público?
Não. A classificação é 18 anos e há cenas explícitas de nudez e conteúdo sexual. É indicado para espectadores familiarizados com cinema de vanguarda.
Pra quem é este filme:
- Espectadores de cinema de vanguarda que já digeriram Pasolini, Fassbinder e o cinema de corpo brasileiro contemporâneo.
- Pesquisadores e estudantes de performance, estudos de gênero e cinema underground que usam o filme como material de análise.
- Curiosos dispostos a sair da zona de conforto, sem apego a enredo, e abertos ao estranhamento como método de leitura.
País de origem: Brasil
Diretor: Jorge Alencar
Principais atores:
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Leo França -
Daniel Becker -
Audrey Consiglio -
Fafá Carvalho -
Vanessa Mello -
Fábio Osório Monteiro -
Lia Lordelo -
Paula Lice
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Joline Andrade -
Márcio Nonato -
Daniel Moura -
Gugu Ribeiro -
Eyshila Butterfly -
Antônio Cordeiro -
Anderson Lacerda -
Quadrilha Asa Branca -
Sheila Ribeiro/D.Orpheline -
Martina Barreto -
Ellen Mello -
Larissa Alencar