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Pinta

Pinta

18 Espetáculo Drama Duração: 1h 12min

O que é Pinta

Documentário experimental do diretor Jorge Alencar sobre sexualidade, sexo e corpo como matéria-prima artística. O filme se assume como obra underground e trash, recusando qualquer convenção didática ou narrativa linear.

A proposta é simples na teoria e radical na execução: performances, colagens e cenas captadas de forma intermitente, quase como fragmentos de um diário audiovisual. Nada ali busca explicar — o filme provoca e escapa.

Com 72 minutos, a obra dialoga com o espetáculo e o drama em sua forma mais visceral, aproximando-se também de experiências vistas em Sinfonia da Necrópole e A Finada Mãe da Madame.

Origem e contexto

Pinta chega ao circuito alternativo brasileiro com a marca de produção independente de baixo orçamento, típico das obras que circulam em festivais e mostras de cinema de vanguarda.

Não é um filme de grande público nem busca repercussão comercial. Sua existência já é um ato de resistência: produzir cinema experimental sobre sexualidade no Brasil exige freadas constantes à autocensura.

A recepção em mostras especializadas foi discreta, mas respeitada. O longa encontrou seu público entre programadores de festivais, pesquisadores de cinema de corpo e espectadores que consomem o que há de mais radical na produção nacional — uma trinca que também valoriza obras como As Boas Maneiras e O Animal Cordial.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a coragem formal de Alencar. O filme não pede licença, não faz acordo com o espectador e entrega uma experiência genuinamente fora do eixo. Em tempos de pasteurização audiovisual, isso vale por si só.

Ponto alto (técnico): as performances têm verdade. O elenco — com nomes como Harildo Deda, Eduardo Gomes e Neto Machado — entrega o corpo sem proteção.

Ponto fraco: a estrutura intermitente cobra caro. Em mais de um momento a montagem fragmentada provoca cansaço, e a sensação de obra inacabada pode frustrar quem espera um statement mais preciso.

Ponto fraco: o trash nem sempre vira linguagem. Há cenas que poderiam ser mais curtas, sequências que se repetem sem acrescentar camadas.

Curiosidades

  • Jorge Alencar acumula as funções de diretor, ator e curador da própria obra — o filme é, em parte, um autorretrato de processo.
  • A produção circulou por mostras alternativas antes de ganhar distribuição mais ampla, reforçando seu caráter de obra de circuito.
  • A montagem fragmentada foi pensada como colagem: as cenas foram organizadas por afinidade estética, não por ordem cronológica ou temática.

Perguntas frequentes

Pinta é um documentário convencional?

Não. É um documentário experimental que mistura performance, colagem e registros intermitentes. Não espere entrevistas, narração ou estrutura tradicional.

Pinta tem cena pós-créditos?

Não há cena pós-créditos. O filme termina abruptamente, como parte da proposta estética.

Pinta é recomendado para qualquer público?

Não. A classificação é 18 anos e há cenas explícitas de nudez e conteúdo sexual. É indicado para espectadores familiarizados com cinema de vanguarda.

Pra quem é este filme:

  • Espectadores de cinema de vanguarda que já digeriram Pasolini, Fassbinder e o cinema de corpo brasileiro contemporâneo.
  • Pesquisadores e estudantes de performance, estudos de gênero e cinema underground que usam o filme como material de análise.
  • Curiosos dispostos a sair da zona de conforto, sem apego a enredo, e abertos ao estranhamento como método de leitura.