Veja o trailer do filme Persépolis
Persépolis
Entendendo o filme em 60 segundos
Persépolis é uma animação francesa em preto e branco que adapta a graphic novel autobiográfica de Marjane Satrapi.
A história acompanha uma garota iraniana criada nos anos 1970, que vê a infância ser engolida pela Revolução Islâmica, pela guerra com o Iraque e por regimes que tentam controlar até a forma como ela se veste.
Mais do que um filme histórico, é um retrato de formação sobre crescer entre o medo e a rebeldia, com humor ácido, doses de ironia e personagens que fogem do maniqueísmo.
Estreia, legado e impacto cultural
Persépolis estreou em 2007 no Festival de Cannes, onde arrancou o Prêmio do Júri, e chegou aos cinemas brasileiros em 22 de fevereiro de 2008 pela Europa Filmes.
No Oscar 2008, concorreu como Melhor Filme de Animação e acabou derrotado por Ratatouille, mas saiu do evento com a marca de ser a primeira animação indicada daquele ano a discutir tema explicitamente político.
Quase duas décadas depois, o longa segue citado em listas de melhores animações adultas e virou referência obrigatória para o cinema de origem francesa e para adaptações de quadrinhos não ocidentais.
A repercussão extrapolou o circuito autoral: o governo iraniano chegou a vetar a exibição do filme em festivais locais, o que só reforçou o discurso anticensura que a obra defende.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud transforma a graphic novel em um filme visualmente inventivo, com enquadrimentos expressionistas e um humor que não alivia o peso do tema, só o torna digerível.
A protagonista é construída com camadas: teimosa, insegura, corajosa e impulsiva, sem virar nunca mascote de discurso fácil.
Ponto fraco: o terceiro ato corre, especialmente quando Marjane vai para a Áustria e depois volta ao Irã, e algumas passagens sentimentais pedem um tempo que o roteiro não dá.
Curiosidades de bastidor
- O filme é baseado na graphic novel em quatro volumes que Marjane Satrapi publicou entre 2000 e 2003, fenômeno editorial que ajudou a popularizar os quadrinhos iranianos no Ocidente.
- A estética em preto e branco é uma escolha da própria autora, que afirmou não querer pintar o Irã nas cores ocidentais que Hollywood costuma usar.
- Satrapi e Paronnaud dirigiram o longa com budget modesto, usando técnicas mistas de animação tradicional e CGI quase imperceptível.
Perguntas frequentes sobre Persépolis
Persépolis é baseado em fatos reais?
Sim. O filme adapta a autobiografia em quadrinhos de Marjane Satrapi, que viveu no Irã durante a Revolução Islâmica, a guerra com o Iraque e depois se mudou para a Europa.
Qual a classificação etária do filme?
No Brasil, Persépolis recebeu classificação indicativa de 14 anos, por conter cenas de violência, temática política pesada e conteúdo sexual moderado.
Persépolis tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com a conclusão narrativa e os créditos rolam em sequência, sem cenas extras no final.
Pra quem é este filme:
- Fãs de animação adulta, política e historicamente comprometida, que fuja do lugar-comum Pixar/DreamWorks.
- Leitores de graphic novels biográficas e quadrinhos europeus que apreciam obras como Maus e Fun Home.
- Curiosos por cinema sobre Oriente Médio, revoluções e diáspora, interessados em relatos em primeira pessoa sobre Irã pré e pós-1979.
Título original: Persepolis
País de origem: EUA
Data do lançamento: 22/02/2008
Distribuidora: Europa Filmes
Diretor: Marjane Satrapi, Vincent Paronnaud