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Perdas e Danos

Perdas e Danos

Drama Romance Erótico Duração: 1h 50min

O Adultério como Fissura Existencial

Stephen Flemming (Jeremy Irons) é um político conservador britânico que carrega a pose pública de um homem inabalável. Nos bastidores do Parlamento, ele mantém uma vida conjugal funcional ao lado de Ingrid (Miranda Richardson), com quem tem um filho prestes a se casar.

O edifício de autocontrole racha no instante em que ele cruza com Anna (Juliette Binoche), a noiva do filho. A atração é imediata, irracional e funciona como uma espécie de curto-circuito moral.

Dirigido por Louis Malle, o filme adapta o romance de Josephine Hart e trata o adultério menos como transgressão romântica e mais como um mergulho na fragilidade adulta. Não há glamour barato: a relação é narrada como obsessão, vazio e cumplicidade destrutiva.

O roteiro aposta em elipses, olhares contidos e uma montagem que sugere mais do que mostra, sustentando uma tensão que extrapola as cenas de sexo explícito. O filme se encaixa como erotismo psicológico, mais interessado na dimensão emocional do desejo do que no choque visual.

Estreia e Legado

Lançado em 1992 no circuito europeu e trazido ao Brasil em 31 de dezembro de 1993, Perdas e Danos dividiu público e crítica na época, mas encontrou nicho cativo entre apreciadores de drama adulto.

A fotografia de Peter Biziou usa tons frios e iluminação noturna para traduzir a clandestinidade da relação. A montagem alterna presente e passado com fluidez, revelando aos poucos o tamanho da destruição.

Jeremy Irons recebeu indicação ao BAFTA por sua interpretação contida, e Juliette Binoche consolidou a transição para um registro mais físico, após o sucesso de Azul. O longa permanece como referência obrigatória no ciclo europeu de dramas passionais dos anos 90, ao lado de obras como A Insustentável Leveza do Ser.

Hoje é lembrado como um dos títulos mais sóbrios sobre traição no cinema contemporâneo, citado em listas de romance trágico e reaparecendo em retrospectivas sobre o cinema de Louis Malle.

Vale o Ingresso?

Ponto alto: as interpretações. Irons carrega o peso da culpa no olhar, Binoche imprime vulnerabilidade física, e Miranda Richardson rouba cenas cruciais com uma contenção quase cirúrgica.

A direção de Malle conduz a narrativa com elegância rara, sem moralismo barato.

Ponto fraco: o ritmo é lento e exige paciência.

Quem busca ação, reviravoltas ou final catártico provavelmente vai se frustrar, pois a proposta é habitar o desconforto, não resolver tensões.

Curiosidades

  • O roteiro é uma adaptação do primeiro romance de Josephine Hart, publicado em 1991, que virou fenômeno de público na Europa.
  • Jeremy Irons e Juliette Binoche gravaram as cenas de intimidade com o próprio diretor orientando cada movimento, sem simulação, o que chocou parte do elenco na época.
  • Julian Fellowes, futuro criador de Downton Abbey, aparece no elenco em um dos primeiros papéis em longas britânicos.

Perguntas Frequentes

Perdas e Danos tem cenas de sexo explícito?

Sim. O longa contém cenas de sexo sem simulação, o que gerou controvérsia no lançamento e resultou em cortes em alguns países, inclusive no mercado norte-americano.

Qual é a diferença entre Perdas e Danos e Damage?

Nenhuma em termos de obra: Damage é o título original em inglês. No Brasil, recebeu o nome Perdas e Danos, título usado em cartazes e catálogos de home video.

Perdas e Danos é baseado em um livro?

Sim. O roteiro é uma adaptação do romance de estreia da escritora britânica Josephine Hart, publicado em 1991 e rapidamente traduzido para diversos idiomas.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de dramas de traição densos, tipo Destinos e A Insustentável Leveza do Ser.
  • Leitores de Josephine Hart, Hanif Kureishi e Julian Barnes.
  • Admiradores do cinema europeu dos anos 90, especialmente de Louis Malle, Philippe Garrel e Patrice Chéreau.

Título original: Damage

País de origem: Reino Unido

Data do lançamento: 31/12/1993

Distribuidora: Europa Filmes

Diretor: Louis Malle

Principais atores: