Peleja no Sertão/ O Despertar de Lilith
O que é Peleja no Sertão / O Despertar de Lilith
Trata-se de uma sessão dupla de terror que costura dois curtas de horror autoral brasileiro sob o mesmo selo. A proposta é simples: dois diretores, dois universos, 96 minutos de desconforto.
Na primeira parte, um grupo de sertanejos viaja em cima de um pau de arara pelo interior. Um acidente na estrada muda tudo: eles precisam seguir a pé e, a partir daí, viram presa de uma criatura que começa a caçá-los sem explicação.
Já em O Despertar de Lilith, a chave muda completamente. Monica Demes adapta o mito judaico-cabalístico de Lilith — a primeira esposa de Adão, expulsa do Paraíso e condenada a ser a primeira demoníaca da humanidade — para o corpo de Lucy, uma jovem sexualmente reprimida que passa a sonhar com uma mulher misteriosa, erótica e sedenta de sangue.
Origem, formato e legado
Peleja no Sertão / O Despertar de Lilith nasce da cena independente de horror brasileira, com circulação forte em mostras e festivais de gênero antes de chegar ao circuito comercial. É o tipo de produção que existe graças a editais, parcerias e distribuição alternativa.
A primeira metade, assinada pelo diretor Fabio Miranda, tem DNA regionalista: voz de matuto, paisagem de caatinga, criaturas que poderiam ter saído do imaginário popular do Nordeste. A narrativa usa a aridez do sertão como mais um personagem.
A segunda metade, dirigida por Monica Demes, troca a rusticidade por um terror psicológico de câmera fechada, mais próximo de videoclipe sensorial. É a metade que mais dialoga com o circuito internacional de horror erótico, herdeira de cineastas como Ana Lily Amirpour e até do Paul Bartsch mais onírico.
O formato de sessão dupla (a chamada "dupla face") é raro no cinema mainstream, mas tem tradição em mostras de gênero como o Fantasporto e a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que frequentemente programam blocos temáticos duplos.
Vale o ingresso?
Ponto alto: O Despertar de Lilith é, de longe, o segmento mais bem-acabado. A atuação de Barbara Eugenia como Lucy e a construção de uma sensualidade sufocante, quase sufocante de tão contida, funcionam. A direção de arte usa vermelho, sombras e texturas de pele para construir uma atmosfera vampiresca com cheiro de incenso.
Ponto alto (2): A ideia de colocar um folk horror nordestino e um horror erótico-cabalístico na mesma sessão é corajosa. Funciona como declaração de intenções da cena autoral brasileira.
Ponto fraco: Peleja no Sertão tem problemas de ritmo. A perseguição demora a engrenar e a criatura ganha pouca presença na tela. Fica a sensação de que a história precisava de mais dez minutos de tensão para compensar o orçamento enxuto.
Ponto fraco (2): A transição entre os dois filmes é brusca. Quem entra esperando terror rural se deparar com horror psicológico sensual pode sair confuso. O pacote é irregular, mas tem identidade.
Curiosidades de bastidores
- O título dupla "Peleja no Sertão / O Despertar de Lilith" segue a tradição de programação de mostras que usam a barra (/) como separador, e não como enredo único.
- O mito de Lilith citado no filme vem da Alphabet of Ben Sira, texto judaico medieval, e não do Gênesis canônico — o que confere à segunda metade uma camada teológica menos óbvia.
- A primeira metade foi rodada em locações reais de caatinga, com equipe reduzida e produção artesanal, reforçando o lado de folk horror regional.
Perguntas frequentes
Peleja no Sertão / O Despertar de Lilith vale a pena?
Vale para quem gosta de horror de autor e produção independente brasileira. É irregular, mas a segunda metade compensa a sessão.
Tem cena pós-créditos?
Não há cena pós-créditos reportada. A sessão dupla termina com o encerramento do segundo segmento.
Qual é a classificação indicativa?
O filme é classificado para 18 anos, devido a cenas de violência, nudez e conteúdo sexual explícito no segmento de Lilith.
Pra quem é este filme:
- Fãs de horror de autor e cinema de mostra — quem curte o circuito de festivais, curtas premiados e propostas não convencionais vai reconhecer a casa.
- Entusiastas de horror erótico e mitologia judaica — O Despertar de Lilith conversa com quem conhece tradições cabalísticas e gosta de cinema de terror sensual à la Daughters of Darkness.
- Curiosos do folk horror nordestino — quem se interessa por narrativas de caatinga, criaturas do sertão e revisão do imaginário popular do Norte/Nordeste vai encontrar estímulo na primeira metade.
Título original: Peleja no Sertão/ O Despertar de Lilith
País de origem: Brasil
Diretor: Peleja no Sertão - Fabio Miranda O Despertar de Lilith - Monica Demes
Principais atores: