Veja o trailer do filme Ouro
Ouro sem promessa, só suor e gelo
Dois filmes dividem a busca pelo metal que enlouqueceu o mundo. A jornada gelada de 1898 atravessa o Yukon com Emily Meyer e seis imigrantes alemães rumo a Dawson City, num aventure de sobrevivência que estreou no Festival de Berlim 2013.
Já a aposta de 2016 com Matthew McConaughey leva o ouro para o deserto do Nevada, onde um fazendeiro descobre a maior pepita da sua vida. Dois projetos de drama que apostam no peso do cenário, na cara fechada dos personagens e no silêncio como resposta.
Linha do tempo e legado
A versão canadense de 2013, dirigida por Thomas Arslan, marcou a mostra Escola de Berlim com seu olhar seco sobre a Corrida do Ouro. Roteiro enxuto, elenco desconhecido no circuito comercial brasileiro e fotografia que privilegia o branco infinito da neve.
Três anos depois, a Diamond Films trouxe ao circuito comercial o filme estrelado por McConaughey, com direção de Stephen Gaghan. Chegou ao Brasil em 2017 como um suspense econômico sobre ganância, com críticas mornas e público curioso pela presença do astro de Interstellar.
Nenhum dos dois virou fenômeno de bilheteria, mas ambos alimentam o filão de filmes sobre a obsessão humana por ficar rico rápido.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a dupla versão aposta em ambientação e tensão contida, com Matthew McConaughey carregando a versão de 2016 nos ombros. A atuação dele, mais uma vez dentro daquela fase de escolhas radicais, segura qualquer cena parada no deserto.
Ponto fraco: ambos os longas são lentos demais para o público que espera entretenimento de ouro puro. A versão canadense praticamente não tem diálogos e exige paciência. Já a de McConaughey peca por subaproveitar coadjuvantes fortes como Bryce Dallas Howard e Edgar Ramírez, reduzidos a funções quase decorativas.
Curiosidades de bastidores
- A versão de 2016 foi rodada em locações reais do deserto de Mojave e no Novo México, em vez de estúdio, o que dá aquele calor opressivo na tela.
- Matthew McConaughey engordou cerca de 20 quilos para viver Kenny Wells, repetindo a transformação física radical que já tinha feito em Dallas Buyers Club.
- O filme canadense de Thomas Arslan usou só profissionais alemães no elenco, reforçando a proposta de imersão cultural sobre o grupo que migra para o Yukon.
Perguntas frequentes
Ouro com Matthew McConaughey vale a pena? Vale se você curte drama lento e personagem moralmente cinza. É um filme sobre ganância disfarçado de aventura, com o astro de Interstellar no modo mais pesado.
Ouro é baseado em fatos reais? A versão de 2016 é inspirada em casos reais de golpes minerais, enquanto a de 2013 recria a Corrida do Ouro do fim do século XIX com liberdade histórica.
Ouro tem cena pós-créditos? Não. O longa de McConaughey fecha a história antes dos créditos finais, sem gancho extra.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas contemplativos com ênfase em sobrevivência e paisagem inóspita.
- Admiradores de Matthew McConaughey na fase Dallas Buyers Club, quando ele apostava em papéis densos e antipáticos.
- Quem curte cinema de festival, sobretudo mostras europeias como Berlim, e aceita narrativa sem pressa.
Título original: Gold
País de origem: EUA
Distribuidora: Diamond Films
Diretor: Stephen Gaghan, Thomas Arslan
Principais atores: