Otello
Sobre o que é Otello
Otello, o mouro de Veneza, é conduzido ao generalato e ao casamento com Desdemona. Iago, seu alferes preterido na promoção, decide se vingar.
O mote é simples: fabricar uma prova que não existe. A ópera de Verdi caminha para o desastre doméstico de um homem que confia demais em quem deveria vigiar. O libretto de Boito condensa a peça de Shakespeare em quatro atos secos, e a produção da Royal Opera House registrada por Keith Warner prioriza o canto sobre o espetáculo visual.
Para quem busca ópera em sua forma mais decantada, é um dos títulos centrais do repertório italiano tardio.
Estreia e legado
Esta montagem específica da Royal Opera House foi registrada e chegou aos cinemas brasileiros em 03 de outubro de 2017, integrando a temporada de transmissões ao vivo da casa londrina.
A obra original estreou em 1887 no Teatro alla Scala, após 16 anos de hiato de Verdi. Foi a primeira colaboração com o libretista Arrigo Boito, parceria que ainda geraria Falstaff. O papel de Otello foi criado por Francesco Tamagno, referência vocal que ainda define o personagem.
Quase 130 anos depois, Otello segue como prova de fôlego para tenores dramáticos. A versão estrelada por Jonas Kaufmann chamou atenção por trazer um cantor mais associado ao repertório francês e italiano leve para um papel de peso wagneriano.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a cena do terceiro ato, quando Otello aceita a "prova" de Iago. Jonas Kaufmann sustenta a escalada de agudos com tensão contida, e o coro entra com força. É o momento em que a partitura de Verdi justifica qualquer hesitação inicial.
Maria Agresta como Desdemona entrega o Willow Song com fraseado limpo, sem excessos sentimentais. O Iago de Marco Vratogna é vocalmente imponente, ainda que mais declamatório que insinuante.
Ponto fraco: a cenografia de Warner é funcional, não memorável. Faltam leituras visuais que justitem a ida ao cinema frente ao áudio caseiro. Quem busca impacto cênico comparável a Cavalleria Rusticana / Pagliacci pode sair frustrado.
Curiosidades
- Verdi levou 16 anos sem compor entre Aida (1871) e Otello (1887), voltando à ativa apenas com o libreto de Arrigo Boito.
- Jonas Kaufmann já havia interpretado o personagem em gravações de estúdio, e a produção da Royal Opera foi a primeira em vídeo com essa escalação.
- A produção foi dirigida por Keith Warner com regência de Antonio Pappano, titular da casa londrina, referência em Verdi.
Perguntas frequentes
Otello é ópera ou filme?
É a transmissão ao vivo de uma produção da Royal Opera House de 2017, exibida em cinemas como parte da temporada Live Cinema. Foi dirigido por Keith Warner e regido por Antonio Pappano.
Quem é Iago em Otello?
Iago é o alferes de Otello, preterido na promoção para tenente que foi para Cassio. Em vez de lamentar, ele arquiteta a destruição do general, da esposa e do próprio Cassio. Marco Vratogna canta o papel nesta produção.
Quanto tempo dura Otello?
A montagem tem 140 minutos, divididos em quatro atos. É mais enxuta que outras óperas verdianas tardias, mas exige resistência vocal do tenor no terceiro e quarto atos.
Qual a diferença entre Otello de Verdi e o de Rossini?
São duas óperas distintas. A de Rossini é de 1816, em três atos, com libreto diferente e final alternativo. A de Verdi, de 1887, segue o libreto de Boito baseado em Shakespeare, com o desfecho trágico tradicional. A versão da Royal Opera registrada em 2017 é a de Verdi.
Pra quem é este filme:
- Fãs de Verdi e do repertório italiano tardio, que conhecem as diferenças entre o Otello de Verdi e o Rossini.
- Apanhados de Jonas Kaufmann que querem vê-lo em papel dramático pesado, fora da zona de conforto do repertório francês.
- Leitores de Shakespeare interessados em ver como o libreto de Boito condensa a tragédia original em quatro atos.
Título original: Royal Opera House: Otello
País de origem: Reino Unido
Data do lançamento: 03/10/2017
Diretor: Keith Warner
Principais atores: