Veja o trailer do filme Operação Presente
De que forma Papai Noel entrega tudo em uma noite?
Pegue a logística mais absurda do mundo, multiplique por dois bilhões de crianças e coloque um Papai Noel no centro do furacão. É essa a pergunta que Sarah Smith e Barry Cook respondem em Operação Presente.
No filme, o Polo Norte virou uma espécie de NASA natalina. Trens espaciais, elfos com headsets e uma megaoperação high-tech garantem a entrega global em tempo recorde. No meio dessa engrenagem toda mora Arthur, filho caçula do Papai Noel, atrapalhado, desastrado e completamente deslocado.
Quando uma criança é esquecida no sistema, Arthur resolve consertar a falha por conta própria. Com um trenó antigo, um avô com saudades da velha escola e um elfo nerd chamado Bryony, ele parte numa corrida contra o amanhecer de Natal.
Linha do tempo e legado
Operação Presente chegou aos cinemas do Brasil em dezembro de 2011, em plenas festas de fim de ano. Foi a aposta da Aardman e da Sony para disputar o público natalino contra a hegemonia da Disney.
A película arrecadou cerca de US$ 147 milhões no mundo inteiro, com orçamento de US$ 100 milhões. Faturamento razoável, mas longe de virar um fenômeno de bilheteria.
Mesmo assim, ganhou terreno com o tempo via TV a cabo e streaming, virando figurinha carimbada na programação de fim de ano. Hoje, disputando espaço com clássicos como Mulan em sessões temáticas de animação, é lembrado como uma das respostas mais criativas ao tema Papai Noel no cinema.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a sacada de tratar o Natal como uma operação logística corporativa, com direito a Steve, o irmão responsável e workaholic, fazendo as vezes de CEO natalino. As piadas de bastidores funcionam, e o contraste entre tecnologia e magia rende piadas que arrancam risadas dos pais tanto quanto dos pequenos.
Outro mérito é Arthur. O protagonista atrapalhado, com jeito de palhaço emocional, carrega o filme nas costas. James McAvoy e Hugh Laurie emprestam vozes certeiras ao elenco principal.
Ponto fraco: o meio do filme perde fôlego. A perseguição ao trenó antigo, com direito a viagens por vários países, alonga a trama além do necessário. Algumas piadas de humor britânico miram mais nos adultos e podem passar batido pelas crianças menores.
No fim das contas, entrega uma mensagem sobre união familiar sem cair no pieguismo açucarado. Funciona, mas não voa tão alto quanto o material permitiria.
Curiosidades de bastidores
- A Aardman, conhecida pelo stop-motion de Wallace & Gromit, trocou a massinha pelo CGI nessa parceria com a Sony, mantendo a identidade britânica no visual.
- A ideia de tratar o Natal como operação logística de alta tecnologia foi inspirada no curta-metragem de Arthur Christmas exibido antes de Caminhando com Dinossauros nos cinemas britânicos.
- Peter Baynham, roteirista de Ato II e Borat, assina o roteiro junto com Sarah Smith, o que explica o humor afiado escondido sob a animação infantil.
Perguntas frequentes
Operação Presente tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma fechada e a animação dos créditos rola normalmente sem nenhuma cena extra ou teaser escondido.
Operação Presente é da Aardman, a mesma de Wallace & Gromit?
Sim. É uma coprodução da Aardman com a Sony Pictures Animation, que estreou o formato CGI mantendo a marca britânica dos estúdios.
Operação Presente é adequado para crianças pequenas?
É uma animação classificada como livre, sem conteúdo preocupante. Algumas piadas verbais podem passar por cima da cabeça de crianças com menos de 5 anos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de animações natalinas não convencionais, que preferem algo com humor ácido em vez de moral açucarada demais.
- Adultos nostálgicos que crescem revendo filmes de Natal em dezembro e colecionam edições especiais de Blu-ray temático.
- Amantes da estética da Aardman, conhecidos por stop-motion em séries britânicas, agora experimentando o computador gráfico com a mesma identidade visual.
Título original: Arthur Christmas
País de origem: Reino Unido
Data do lançamento: 02/12/2011
Diretor: Sarah Smith, Barry Cook