Veja o trailer do filme Omar M´a Tuer
O caso real que virou filme
Baseado em fatos reais, Omar M'a Tuer reconstrói o julgamento de Omar Raddad, um jardineiro marroquês condenado a 18 anos de prisão em 1991 pelo assassinato de sua patroa na França.
O motor do caso é uma frase escrita com o sangue da vítima perto do corpo: "Omar me matou". Evidência-chave que condena o rapaz, mas que também levanta uma dúvida incômoda na cabeça de um jornalista.
O longa acompanha a investigação paralela de Denis Podalydès como Pierre-Emmanuel Vaugrenard, repórter que decide fuçar as entrelinhas do processo.
É um drama judicial com cara de policial investigativo, dirigido por Roschdy Zem com tom contido e olhar humano sobre o estrangeiro acusado por um país que mal conhece.
De 2010 aos streamings: um caso que não envelhece
Lançado na França em 2010, o filme só chegou ao circuito brasileiro em 2011, em circuito limitado, mas ganhou força em retrospectivas e mostras de cinema francês no Brasil.
A história real ganhou sobrevida: Omar Raddad acabou sendo parcialmente indultado anos depois, em 1998, depois que novas provas reforçaram a tese de erro judiciário — o que dá um peso extra ao desfecho do longa.
Hoje é lembrado como uma das peças mais incômodas da filmografia de Roschdy Zem, dividindo espaço com títulos como Chocolate e Dias de Glória.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a interpretação de Sami Bouajila no papel-título é o que sustenta o filme inteiro. Ele transmite a sensação de um homem encurralado por um idioma, um sistema e uma frase que não escreveu.
Ponto alto: o roteiro trata o espectador como adulto. Não entrega a solução mastigada, prefere deixar o vazio da dúvida pairar sobre a tela.
Ponto fraco: a reconstituição é propositalmente fria e burocrática. Quem espera tensão de tribunal ao estilo Hollywood pode achar a narrativa arrastada no meio.
Ponto fraco: os 85 minutos passam rápido, mas o terceiro ato resolve a investigação com menos impacto emocional do que o caso merecia.
Bastidores
- Sami Bouajila ganhou o César de Melhor Ator em 2012 pela interpretação de Omar Raddad.
- O caso real de Omar Raddad virou debate nacional na França e motivou uma petição popular com mais de 150 mil assinaturas pedindo revisão criminal.
- Roschdy Zem, ele próprio filho de imigrantes marroquinos, declarou ter se interessado pelo caso por identificar nele a condição do estrangeiro preso entre duas línguas e dois sistemas.
Perguntas frequentes
Omar M'a Tuer é baseado em fatos reais?
Sim. O filme reconstrói o julgamento de Omar Raddad, jardineiro marroquês condenado na França em 1991 pelo assassinato de sua patroa, caso que gerou grande comoção pública.
O caso de Omar Raddad foi resolvido?
Omar Raddad foi indultado em 1998, depois que novas análises grafológicas e a descoberta de álibis parciais reforçaram a tese de erro judiciário. O caso, porém, nunca foi oficialmente reaberto com nova sentença.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. Omar M'a Tuer termina logo após o último plano, sem cena extra após os créditos. Assista até o final e pronto.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas judiciários europeus baseados em fatos reais, no estilo de Kapò e produções do cinema francês engajado.
- Quem acompanha a filmografia de Roschdy Zem e quer comparar com Bodybuilder e Má Fé.
- Leitores de true crime e jornalismo investigativo interessados em casos de erro judiciário e imigração na Europa.
Título original: Omar M´a Tuer
País de origem: França
Data do lançamento: 31/12/2010
Diretor: Roschdy Zem
Principais atores: