Veja o trailer do filme Okja
Okja
Okja: a super porca que virou o centro de uma guerra entre corporação, ativismo e uma criança
Lançado em 2017, Okja é um dos filmes mais malucos do Joon-Ho Bong — e olha que o currículo dele já tem Parasita e Snowpiercer. A premissa é simples na superfície: uma garota tenta salvar sua porca gigante de estimação de ser abatida por uma corporação de alimentos.
Por baixo, é uma sátira violentamente engraçada sobre capitalismo tardio, marketing verde e a forma como a gente consome carne. Bong mistura ficção científica, aventura e drama sem pedir licença, alternando entre cenas de ação em Seul, experimentos de laboratório e flashbacks nas montanhas do Chile.
Se você achava que um filme sobre uma porca não podia te fazer chorar, segure.
Quando estreou e por que Okja ainda importa
Okja estreou no Festival de Cannes em maio de 2017, onde dividiu a plateia entre aplausos e vaias na sessão oficial — a Netflix comprou os direitos de distribuição sob críticas de cineastas tradicionais que reclamavam que o streaming não deveria competir pela Palma de Ouro.
Foi liberado no catálogo da Netflix em 28 de junho de 2017 e se tornou uma das primeiras grandes vitórias de imagem da plataforma como produtora de cinema de autor. A campanha de marketing de Okja incluiu até uma loja pop-up em Seul vendendo carne fictícia de "super porco".
Hoje o filme é lembrado como um dos manifestos do cinema Netflix original e como porta de entrada para o trabalho de Bong antes do estouro mundial de Parasita (2019).
Vale o ingresso?
Ponto alto: a relação entre Mija e Okja é construída com delicadeza rara. Os quinze minutos iniciais nas montanhas chilenas lembram Meu Amigo Totoro e funcionam como um respiro antes do inferno corporativo explodir.
Ponto alto: Tilda Swinton e Jake Gyllenhaal entregam performances grotescas, hilárias e desconfortáveis. Swinton interpreta duas irmãs e rouba todas as cenas em que aparece.
Ponto alto: o terceiro ato, apesar de irregular, inclui uma das cenas mais cruéis já feitas sobre a indústria da carne — sem mostrar nada explícito, mas impossível de esquecer.
Ponto fraco: o ritmo oscila demais. A passagem do naturalismo chileno para a farsa de Seul e a correria noturna de hipermercado é brusca e pode desagradar quem espera coerência tonal.
Ponto fraco: a mensagem ambiental às vezes soa didática, com o grupo ativista (liderado por Paul Dano e Steven Yeun) beirando a caricatura.
Curiosidades de bastidores
- Okja foi criada em computação gráfica pela equipe de O Senhor dos Anéis da Weta Digital, que precisou estudar mais de 30 porcos reais para animar expressões faciais convincentes.
- A cena do shopping center foi gravada em locação real em Seul com centenas de figurantes — o que gerou pânico real entre consumidores que não sabiam se era encenação ou protesto.
- Martin Scorsese aparece em um pequeno cameo como um executivo da corporação, em uma ponta que reforça o tema do longa sobre a banalidade do mal corporativo.
Perguntas frequentes
Okja tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina com uma cena de encerramento clara, seguida apenas dos créditos finais. Pode levantar da cadeira sem medo de perder nada.
Okja está na Netflix?
Sim. Okja é uma produção original da Netflix de 2017 e faz parte do catálogo da plataforma. A disponibilidade pode variar conforme o país e a licença de exibição.
Okja é um filme infantil?
Não. Apesar da relação central entre Mija e a super porca lembrar Meu Amigo Totoro, o filme tem violência, crítica corporativa pesada e temas adultos. A classificação indicativa é 14 anos na maioria dos países.
Okja ganhou algum prêmio importante?
Não levou a Palma de Ouro, mas o filme recebeu sete minutos de aplausos em sua estreia no Festival de Cannes 2017 e foi considerado forte candidato. Tilda Swinton e o próprio Bong foram cotados para premiações menores no circuito de festivais.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor sul-coreano que acompanharam a explosão de Parasita e querem entender de onde veio o diretor.
- Veganos, vegetarianos e simpatizantes da causa animal que curtem entretenimento com posicionamento político explícito.
- Apostadores de premiações que colecionam obras da Netflix, Cannes e do circuito de festivais internacionais.