Veja o trailer do filme O venerável W.

O venerável W.

O venerável W.

Festival Documentário Duração: 1h 35min

Sobre o que é O venerável W.

O documentário acompanha a rotina e os sermões de Wirathu, um monge budista que comanda o movimento nacionalista Ma Ba Tha em Myanmar. O ponto de partida é simples: como alguém ligado a uma tradição de não-violência vira porta-voz de perseguição contra minorias muçulmanas?

Dirigido por Barbet Schroeder, o filme funciona como radiografia de um demagogo em tempo real. Câmera próxima, entrevistas com seguidores, com vítimas e com o próprio Wirathu, sem narração didática que suavize o que está sendo mostrado.

O resultado é um recorte curto e seco sobre um país onde o discurso de ódio se desdobrou em violência, e onde a retórica do medo virou produto político dentro de mosteiros. Para o espectador, o choque não está na estética, e sim no conteúdo. A cada sequência fica mais difícil acreditar que aquilo está acontecendo em templos.

Linha do tempo e legado

O documentário foi exibido em 2017, com passagem por dois dos principais festivais europeus de cinema: Locarno e Cannes, na programação clássica. A escolha de mostras europeias reforçou a intenção de situar o tema dentro do circuito de documentário político contemporâneo.

A obra dialoga com a filmografia anterior de Schroeder, conhecida por retratos de figuras controversas. O recorte em Myanmar ganhou relevância internacional justamente pelo agravamento da crise rohingya, que estourou nos noticiários no mesmo período de divulgação do filme.

No Brasil, a distribuição ficou por conta de uma etiqueta voltada ao circuito de arte, sem lançamento massivo em rede comercial. A película circula em mostras, universidades e sessões especiais, consolidando-se como material de estudo sobre extremismo, religião e política asiática.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a proximidade com Wirathu é cirúrgica. Schroeder não transforma o monge em personagem de cinema nem em vilão de novela. Ele aparece como é, falando para multidões, em entrevistas e em momentos privados. O filme ganha peso quando confronta o discurso com o cotidiano das vítimas.

Outro mérito está no recorte geográfico. Mostra Myanmar de dentro, com ruas, templos e rostos locais, fugindo do tom解说 de telejornal internacional. Isso dá densidade ao contexto e ajuda quem não acompanha a geopolítica da região.

Ponto fraco: a edição é propositalmente seca, e quem espera estrutura dramática de thriller vai se frustrar. Não há trilha emocional guiando o espectador, e algumas cenas se estendem além do necessário, especialmente nos sermões de Wirathu.

Também pesa a ausência de contextualização histórica mais ampla para espectadores de fora do Sudeste Asiático. Quem chega cru no tema pode precisar pesquisar o cenário rohingya em paralelo, o que reduz o alcance imediato da obra fora de círculos acadêmicos.

Curiosidades de bastidores

  • A filmagem foi feita ao longo de anos em Myanmar, com acesso raro a mosteiros, comícios e encontros internos do movimento Ma Ba Tha.
  • Schroeder já tinha experiência com retratos de figuras polêmicas, incluindo o longa General Idi Amin Dada, que rendeu indicação ao Oscar em 1975.
  • O título faz um trocadilho com o termo "venerável", tratamento tradicional de monges budistas, ironizando o status de respeito que Wirathu mantém dentro da hierarquia religiosa.

Perguntas frequentes

O venerável W. está disponível em streaming no Brasil? O documentário teve distribuição limitada no país, voltada ao circuito de mostras e festivais. A disponibilidade em plataformas de streaming varia conforme licenciamentos pontuais; vale checar catálogos atualizados de serviços especializados em documentário.

O documentário é parcial ou neutro? A construção deixa Wirathu falar por longos períodos, o que dá aparência de equilíbrio. Ainda assim, o recorte editorial já denuncia a gravidade do discurso, sem recorrer a narrador que empurre a interpretação.

Vale a pena para quem não conhece a crise rohingya? Sim, funciona como porta de entrada para entender o contexto. Porém, o filme pressupõe certa familiaridade com noções de extremismo religioso, e pesquisa complementar ajuda a conectar os pontos mostrados em cena.

Pra quem é este filme:

  • Leitor de geopolítica e estudos asiáticos: interessado em entender como o extremismo budista ganhou força em Myanmar e como discurso religioso virou ferramenta de poder.
  • Fã de documentários políticos densos: quem curte obras como General Idi Amin Dada e busca retratos de figuras de poder sem roteiro de Hollywood.
  • Estudante de religião e antropologia: alguém que usa cinema como material de apoio para entender contradições entre tradição espiritual e prática política.

Título original: Le vénérable W.

País de origem: França / Suíça

Distribuidora: Festival

Diretor: Barbet Schroeder