O Vândalo
O que é O Vândalo
Chérif tem 15 anos e foi tirado da mãe pela assistência social. Agora vive com os tios numa cidade operária da França, obrigado a abandonar a escola para aprender o ofício de pedreiro.
O roteiro coloca esse garoto encurralado entre duas vidas: o curso técnico de dia, que ele odeia, e as noites em que pichadores profissionais cobrem os muros da cidade com trabalho de spray cada vez mais sofisticado.
É nesse segundo mundo que Chérif descobre uma possibilidade de escolha. O longa acompanha a passagem da pichação vandalismo para a arte urbana, sem fazer disso um conto moral fácil.
O diretor Hélier Cisterne prefere trabalhar com elipses e silêncio, deixando o espectador observar Chérif mais do que ouvir explicações sobre ele.
Estreia e legado
O Vândalo chegou aos cinemas brasileiros em março de 2017, mesmo período de outros dramas europeus independentes que circularam em mostras e circuitos alternativos no país.
O filme integra uma leva de obras francesas focadas em adolescentes em situação de vulnerabilidade, dialogando com títulos como Horas de Verão e Não sou um canalha, também centradas em juventude e tensões familiares.
Hoje é lembrado como uma das interpretações marcantes de Zinedine Benchenine, que sustenta o filme inteiro nos ombros com uma contenção rara para um ator tão jovem.
A obra circula em mostras de ficção europeia contemporânea e mantém um público fiel entre quem curte cinema observacional sobre adolescência.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a fotografia noturna transforma as cenas de grafite em verdadeiros quadros em movimento. As cores dos sprays estouram contra os muros cinza e dão ao filme uma textura visual que prende o olhar.
A interpretação de Zinedine Benchenine também impressiona: ele transmite solidão, raiva e curiosidade sem nunca apelar para o drama explícito.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade, não lento de artifício. Quem busca conflito verbal ou reviravoltas vai perceber que a história se constrói mais por atmosfera do que por evento.
Com apenas 81 minutos, a brevidade até ajuda, mas a narrativa deixa algumas pontas soltas sobre o destino do protagonista.
Curiosidades dos bastidores
- O ator Zinedine Benchenine nunca havia trabalhado em cinema antes de O Vândalo, e foi escolhido em testes abertos em Marselha e arredores.
- As cenas de grafite foram gravadas com pichadores profissionais reais, que aparecem como figurantes e consultores visuais.
- É possível identificar em alguns planos marcas que depois se tornaram famosas na cena de arte urbana francesa dos anos 2010.
Perguntas frequentes
O Vândalo é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficcional, mas se inspira em relatos e pesquisas sobre jovens em situações de tutela e na cena de street art francesa contemporânea.
Qual a classificação etária do filme?
A classificação indicativa é 16 anos, por conta de temas como vulnerabilidade social, uso de substâncias em contexto de grupo e cenas de confronto físico leve.
Quem dirige O Vândalo?
A direção é de Hélier Cisterne, cineasta francês conhecido por produções intimistas e elípticas, com passagem por documentários premiados antes de migrar para a ficção.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas franceses sobre adolescência e marginalidade urbana, no estilo dos trabalhos da produtora Agat Films.
- Entusiastas de arte urbana e street art que se interessam por processos criativos documentados de forma ficcional.
- Quem curte cinema contemplativo, com direção observacional e pouca música incidental, apostando no silêncio como linguagem.
Título original: Vandal
País de origem: França
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Hélier Cisterne
Principais atores: