Veja o trailer do filme O Piano
O que é O Piano e por que ele ainda assombra quem assiste
Ada McGrath (Holly Hunter) é uma mulher muda que decide começar a vida de novo do outro lado do mundo. Ela embarca para a Nova Zelândia vitoriana com a filha pequena, um piano e um casamento arranjado com um homem que ela nunca viu.
O marido, Stewart (Sam Neill), recusa transportar o instrumento. A troca com o vizinho (Harvey Keitel) começa como uma negociação inocente e vira outra coisa.
Dirigido por Jane Campion, o filme usa o silêncio de Ada como motor da história. É drama sensorial, com peso de romance trágico, e funciona quase sem palavras.
Como O Piano entrou para a história do cinema
Estreou em 2 de setembro de 1993 no Brasil e dividiu plateias. Parte do público achou a narrativa lenta, outra parte saiu da sala em silêncio, meio abalada.
No mesmo ano, levou a Palma de Ouro em Cannes, empatando com Farewell My Concubine. Campion virou a segunda mulher a vencer o prêmio principal do festival, depois de ficarem três jurados em impasse com o filme chinês.
No Oscar de 1994, ganhou três estatuetas: Melhor Atriz, Atriz Coadjuvante e Roteiro Original. Anna Paquin venceu aos 11 anos, a segunda mais jovem da história na categoria na época.
Trinta anos depois, o filme segue citado em listas de melhores obras sobre sexualidade feminina e costuma aparecer em cursos de cinema como exemplo de direção que usa o corpo como texto.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de Campion extrai tensão de coisas pequenas. Um dedo numa tecla, um olhar desviado, uma gota de chuva no instrumento. Holly Hunter entrega uma das atuações mais contidas e corajosas dos anos 90, e a resposta do Oscar foi merecida.
Ponto alto: a fotografia de Stuart Dryburgh e a trilha de Michael Nyman viram quase um terceiro personagem. A combinação entre floresta escura, mar cinzento e piano define o tom opressor da história.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem espera reviravoltas rápidas ou diálogos densos pode abandonar o filme nos primeiros 30 minutos.
Ponto fraco: algumas cenas de intimidade ainda chocam pelo tratamento cru. A classificação de 14 anos parece apertada, e o conteúdo é pesado em determinados trechos.
Curiosidades de bastidores
- O piano usado nas filmagens foi construído sob medida, com teclas que podiam ser removidas e recolocadas em diferentes momentos da história.
- Jane Campion e Holly Hunter desenvolveram juntas um código de sinais para que a atriz conseguisse se comunicar com a equipe sem usar a voz, método que virou referência em oficinas de atuação.
- Anna Paquin foi escalada após um casting aberto na Nova Zelândia, sem experiência prévia em cinema, e ganhou o Oscar no primeiro trabalho da carreira.
Perguntas frequentes sobre O Piano
O Piano tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina em silêncio, sem teasers extras. A história se encerra no próprio desfecho da narrativa principal.
O Piano é baseado em fatos reais?
Não. O roteiro é original de Jane Campion, inspirado em parte na história da própria avó da diretora, que se mudou para a Nova Zelândia no século XIX.
Qual a duração e a classificação de O Piano?
São 117 minutos de projeção, com classificação indicativa de 14 anos no Brasil, por causa das cenas de nudez e conteúdo sexual explícito.
Pra quem é este filme:
- Fãs de drama de época e cinema contemplativo, que apreciam narrativas conduzidas por imagem e som em vez de diálogo.
- Quem curte protagonistas femininas complexas e histórias sobre autonomia do corpo, emulando o clima de Thelma e Louise ou Para Sempre.
- Estudantes e entusiastas de cinema de autor interessados em olhar a filmografia de Jane Campion e a estética do cinema neozelandês dos anos 90.
Título original: The Piano
País de origem: Estados Unidos
Data do lançamento: 02/09/1993
Distribuidora: Paris Filmes
Diretor: Jane Campion
Principais atores: