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O PAGADOR DE PROMESSAS

O PAGADOR DE PROMESSAS

Livre Drama Duração: 1h 38min

O que é O Pagador de Promessas

Zé do Burro é um roceiro baiano simples que, depois de quase perder o burro de estimação atingido por um raio, faz uma promessa a Santa Bárbara num terreiro de candomblé.

Para honrar o combinado, ele decide carregar uma cruz gigante de madeira nas costas por mais de 40 quilômetros, do interior até uma igreja em Salvador.

O que parecia uma promessa particular vira um problema público: o padre local se recusa a recebê-lo por causa da origem religiosa do voto, e a vizinhança passa a tratá-lo como caso de polícia ou de loucura.

O longa é uma adaptação da peça de Dias Gomes, dirigida por Anselmo Duarte, e usa essa andança como metáfora dura das intolerâncias que marcam a sociedade brasileira.

Quando estreou e por que importa

Lançado em 1962, O Pagador de Promessas foi o primeiro (e até hoje único) filme brasileiro a vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1962, derrotando produções de todo o mundo.

Na corrida pelo Oscar, concorreu como Melhor Filme Estrangeiro e chegou a ser indicado entre os semifinalistas, colocando o cinema nacional no radar internacional numa época em que isso raramente acontecia.

Passou a ser relançado em cópias restauradas em mostras e cineclubes, e segue obrigatório em qualquer discussão sobre drama brasileiro e cinema novo.

A reedição em 2019, que é a janela de estreia mais recente cadastrada nas plataformas, foi justamente para devolver o filme a salas e ao público jovem que só o conhecia de foto parada.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção segura de Anselmo Duarte e a interpretação contida de Leonardo Villar transformam uma peça teatral em cinema de verdade, com direito a planos abertos do interior baiano que viraram cartão-postal do país.

A fotografia preto e branco usa luz natural com inteligência, e a trilha pontua sem nunca roubar a cena dos atores.

Ponto fraco: o ritmo é deliberadamente lento, e quem chega esperando um filme “popular” no sentido de fácil pode estranhar a cadência teatral e os diálogos longos.

Também não espere grandes reviravoltas: a tragédia é anunciada desde o início, e o filme aposta mesmo é na escalada.

Curiosidades de bastidor

  • A cena final, com a cruz depositada no batente da igreja, foi resolvida com um grande plano-sequência praticamente sem cortes, algo raro no cinema brasileiro da época.
  • A peça de Dias Gomes foi censurada pela ditadura militar, mas o filme escapou de cortes pesados, justamente por ter vencido Cannes antes de chegar ao Brasil.
  • Vários futuros nomes fortes do cinema brasileiro passam rápido pelo elenco, incluindo Norma Bengell, Othon Bastos e Antônio Pitanga, todos ainda no início de carreira.

Perguntas frequentes

O Pagador de Promessas vale a pena assistir hoje?

Vale, especialmente para quem se interessa por cinema brasileiro e por dramas com discussão religiosa. O ritmo é lento, mas a discussão sobre intolerância e sincretismo segue atual.

O Pagador de Promessas tem cena pós-créditos?

Não. O filme termina de forma fechada com a sequência final, sem ganchos extras depois dos créditos.

O Pagador de Promessas é baseado em fatos reais?

Não. A história foi criada pelo dramaturgo Dias Gomes, mas se inspirou em casos populares de promessas e romarias no interior da Bahia.

Quem dirigiu O Pagador de Promessas?

A direção é de Anselmo Duarte, que também assina o roteiro ao lado do próprio Dias Gomes.

Pra quem é este filme:

  • Quem estuda ou se interessa por cinema brasileiro, cinema novo e pela história da produção nacional nos anos 1960.
  • Leitores de Dias Gomes, Nelson Rodrigues e da dramaturgia brasileira que curtem ver peças clássicas virarem filme com elenco afinado.
  • Público que curte dramas sociais com fundo religioso, discussões sobre sincretismo e intolerância, e obras restauradas em preto e branco.