Veja o trailer do filme O medo

O medo

O medo

O Medo: a guerra vista de dentro

Em La Peur, o espectador é jogado dentro da cabeça de um soldado francês da Primeira Guerra Mundial. Gabriel é jovem, introspectivo e está destruído pelo que viu nas trincheiras entre 1914 e 1918.

O longa acompanha a sua jornada interior, feita de alucinações, fúria e sangue. Entre explosões e campos de batalha encharcados, ele se agarra às cartas que escreve para sua amante como último fio de lucidez.

A direção é assinada por Damien Odoul e Jordi Cadena. O roteiro adapta o romance autobiográfico de Gabriel Chevallier, veterano real do conflito, o que dá à narrativa uma textura crua de testemunho.

Estreia e legado

O filme foi exibido no Festival de Toronto em 2015, onde chamou atenção pelo seu tom visceral. Chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017, com distribuição da Imovision.

Trata-se de um filme de festival, com circulação limitada em circuito comercial. Não concorreu ao Oscar, mas circulou por mostras europeias e canadenses voltadas ao cinema histórico autoral.

Hoje, é lembrado como uma peça de nicho, indicada para quem se interessa por representações pouco romantizadas da Primeira Guerra Mundial e por adaptações literárias de战场上 — perdão, de trincheira.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a proposta sensorial é corajosa. Câmera na cara, som agressivo, edição fragmentada. A sensação de claustrofobia e paranoia é rara no cinema de guerra contemporâneo.

Para quem gosta de cinema de guerra não-americanizado, a entrega é genuína. Chevallier não está ali para engrandecer heróis, e o filme assume esse desconforto.

Ponto fraco: o ritmo é sufocante de propósito, mas pode cansar quem espera uma narrativa mais linear. A trama é mais fluxo mental do que arco dramático clássico.

Atores pouco conhecidos — caso de Nino Rocher e Eliott Margueron — entregam intensidade, mas sem a presença de estrela que ajuda a fisgar o público casual.

Curiosidades

  • O título original La Peur (O Medo) é o mesmo do romance autobiográfico de Gabriel Chevallier, publicado em 1930, escrito por ele cerca de 12 anos após o fim da guerra.
  • As filmagens combinaram locações reais com recursos de pós-produção para reforçar o aspecto alucinatório das trincheiras.
  • Apesar da assinatura dupla, a direção de Damien Odoul domina o resultado final, com Jordi Cadena em papel mais discreto na co-direção.

Perguntas frequentes

O Medo é baseado em fatos reais?

Sim. O roteiro adapta o romance autobiográfico de Gabriel Chevallier, que lutou de verdade na Primeira Guerra Mundial e escreveu sobre a experiência uma década depois.

O Medo tem cena pós-créditos?

Não. O longa termina de forma seca, coerente com o tom de drama que propõe, sem apêndice após os créditos.

Qual a duração e classificação de O Medo?

São 89 minutos, com classificação 16 anos, por causa da violência explícita e das temáticas associadas à guerra e ao trauma psicológico.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de drama sensorial e cinema de festival, que aceitam narrativas fragmentadas em troca de imersão brutal.
  • Leitores de romances sobre a Primeira Guerra Mundial, como os próprios livros de Chevallier, Barbusse e Remarque.
  • Estudantes e entusiastas de cinema histórico europeu, interessados em relatos não-heroicos do front francês.

Título original: LA PEUR

País de origem: França, Canada

Data do lançamento: 16/03/2017

Distribuidora: Imovision

Diretor: Damien Odoul, Jordi Cadena

Principais atores: