Veja o trailer do filme O gigantesco imã
O gigantesco imã
Um inventor sem diploma e cheio de teorias
Evangelista Ignácio de Oliveira, conhecido como Vanja, é o tipo de personagem que o cinema brasileiro quase nunca registra. Pernambucano, nascido em 1929, ele nunca pisou numa sala de aula como aluno regular. Mesmo assim, passou a vida inteira desenhando máquinas, reaproveitando peças e construindo invenções dentro da própria casa.
Dirigido por Petrônio Lorena e Tiago Scorza, o documentário O gigantesco imã acompanha de perto esse cientista improvisado, registrando suas engenhocas e a maneira como ele enxerga o mundo.
Além das máquinas, Vanja também formula teorias sobre astrofísica que colocam em xeque boa parte do conhecimento acadêmico. O longa coloca o espectador diante de uma figura à margem, porém absolutamente convicta de suas ideias.
Para quem gosta de documentário de personagem, é uma viagem curta e curiosa, com cara de biografia oral feita dentro de uma oficina.
Estréia nos cinemas e legado
O gigantesco imã chegou aos cinemas brasileiros em 10 de março de 2016, com pouco alarde e distribuição limitada, típico de documentários independentes que dependem de festivais e sessões pontuais para circular.
Apesar do circuito enxuto, o filme cumpriu seu papel de dar visibilidade a um inventor quase anônimo, entrando na lista de obras brasileiras interessadas em personagens do interior e da ciência não-oficial.
O longa dialoga com outros retratos de figuras excêntricas nacionais, como O Silêncio da Noite é Que Tem Sido Testemunha das Minhas Amarguras (2017), que também mergulha em figuras singulares do Brasil profundo.
Hoje, segue como uma das poucas tentativas sérias de registrar em vídeo o legado de Vanja antes que o tempo e o esquecimento façam o trabalho deles.
Vale o ingresso?
Ponto alto: O carisma de Vanja e o olhar paciente da direção deixam a sala hipnotizada. Cada invenção surge em cena com a empolgação de quem vê o mundo sendo reinventado no quintal de casa.
Também pesa a favor a capacidade de transformar uma história de aparência modesta em algo visualmente inventivo, com as engenhocas ganhando o status de personagens.
Ponto fraco: O longa praticamente adota a visão de Vanja sem qualquer contraponto crítico. As teorias astrofísicas alternativas são apresentadas com a mesma seriedade dos inventos mecânicos, e isso pode confundir quem espera um recorte mais jornalístico.
Outra questão é o ritmo contemplativo, que pede paciência e disposição para ouvir explicações longas sobre engrenagens e cosmos na voz do próprio inventor.
Curiosidades
- O documentário foi fruto de um longo processo de pesquisa dos diretores, que passaram anos em contato com Vanja antes de levar a história para as telas.
- O personagem central nunca frequentou escola como aluno, o que torna ainda mais curiosa a quantidade de teorias e máquinas que produziu ao longo da vida.
- O longa dialoga com outras produções sobre inventores e figuras singulares do interior, como o também brasileiro Sapato 36 (2022).
Perguntas frequentes
O gigantesco imã é documentário ou ficção?
É um documentário biográfico sobre o inventor pernambucano Evangelista Ignácio de Oliveira, o Vanja, dirigido por Petrônio Lorena e Tiago Scorza.
Qual a duração do filme?
O documentário tem 72 minutos de duração, o que o torna uma sessão curta e acessível.
O gigantesco imã tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina com a narrativa principal e não conta com cena pós-créditos.
Pra quem é este filme:
- Fãs de documentários de personagem e de retratos de figuras excêntricas do Brasil interior.
- Entusiastas de invenções de garagem, makers e curiosos por ciências alternativas e mecânica improvisada.
- Público que acompanha o cinema biográfico brasileiro independente, sobretudo o produzido no Nordeste.
Título original: O gigantesco imã
País de origem: Brasil
Data do lançamento: 10/03/2016
Diretor: Petrônio Lorena Tiago Scorza, Petrônio Lorena, Tiago Scorza
Principais atores: