O Garoto Selvagem

O Garoto Selvagem

14 Drama História Duração: 1h 23min

Um menino entre a floresta e a sala de aula

Em 1798, três caçadores encontram nos bosques do sul da França uma criança que vive como animal. Sem linguagem, sem postura bípede, sem qualquer traço de socialização, o garoto é apelidado de Selvagem de Aveyron e levado a Paris.

Lá, o jovem médico Jean Itard enxerga no caso uma chance única de responder a uma pergunta que mobilizava pensadores da época: até onde vai a plasticidade da mente humana quando ela é privada de qualquer estímulo?

O filme acompanha a rotina paciente de Itard ao tentar ensinar o garoto a comer com talheres, a pronunciar palavras e a se reconhecer como gente. Drama seco, quase científico, sobre a fronteira tênue entre instinto e civilização.

Um caso real que virou filme

Estreou nos cinemas franceses em 1970, trazendo para a tela o mesmo tema que François Truffaut já tinha explorado em Os Incompreendidos (1959): a solidão da infância e a rigidez dos sistemas que deveriam protegê-la.

Chegou ao Brasil em circuito limitado, mas se consolidou como obra obrigatória da filmografia de Truffaut e do ciclo de clássicos da História europea adaptado para o cinema.

Hoje é estudado em cursos de psicologia, pedagogia e cinema por discutir, sem moralismo, o que significa ser humano.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção contida de Truffaut, que confia na inteligência do espectador e dispensa explicações emocionais. A cena em que o menino prova leite pela primeira vez é antológica, com uma economia de meios impressionante.

Ponto alto: a atuação de Jean-Pierre Cargol, capaz de transmitir medo, curiosidade e afeto só com o corpo.

Ponto fraco: quem espera um desfecho dramático ou uma grande catarse pode achar o final apenas factual. O filme registra, não consola.

Ponto fraco: a reconstituição de época, embora competente, não tem o capricho visual das superproduções históricas atuais.

  • O caso real de Victor de Aveyron, base do filme, foi documentado em 1801 pelo próprio médico Jean Itard em relatórios que ainda são leitura obrigatória em cursos de educação.
  • Truffaut escalou a filha Eva Truffaut, com poucos anos na época, para viver uma das crianças que cruzam com o protagonista em Paris.
  • O longa dialoga diretamente com Os Incompreendidos (1959), também de Truffaut, reforçando a obsessão do diretor por meninos selvagens e instituições que falham com eles.

O Garoto Selvagem é baseado em uma história real?

Sim. O filme reconstrói o caso do Selvagem de Aveyron, encontrado em 1798 na França e estudado por Jean Itard nos anos seguintes.

Quem dirigiu O Garoto Selvagem?

François Truffaut, um dos nomes centrais da Nouvelle Vague. Ele também interpreta o médico Jean Itard.

O Garoto Selvagem tem cena pós-créditos?

Não. A narrativa se encerra antes dos créditos finais, sem adicionais.

Pra quem é este filme:

  • Fãs da Nouvelle Vague e do cinema de autor europeu dos anos 60 e 70, interessados em comparar Truffaut com obras-primas como Jules e Jim e A Noite Americana.
  • Estudantes e curiosos por história da psicologia, pedagogia e desenvolvimento infantil, especialmente debates sobre o caso real de Victor de Aveyron.
  • Leitores de ensaios filosóficos sobre natureza humana, comportamento animal e dilemas éticos em experimentos científicos com crianças.

Título original: L'Enfant sauvage

País de origem: França

Data do lançamento: 25/02/1970

Distribuidora: Sem Distribuidor

Diretor: François Truffaut

Principais atores: