O FRANCESITO, UM DOCUMENTÁRIO (IM)POSSÍVEL SOBRE ENRIQUE PICHON RIVIÈRE
O DOCUMENTÁRIO
Antes de existir um público argentino fiel a Woody Allen, houve alguém que plantou as bases da psicanálise no país. Esse alguém é Enrique Pichon-Rivière, o Francesito do título, apelido carinhoso usado pelos amigos mais próximos do psiquiatra.
Dirigido por Miguel Kohan, o documentário parte de uma premissa simples e ambiciosa: transformar um monumento intelectual em um ser humano de carne e osso.
Para isso, Kohan entrevista colegas, familiares e admiradores do trabalho de Pichon-Rivière. O retrato que emerge é o de um homem forjado na infância passada na floresta do Chaco, entre onças e jacarés, experiência que alimentou sua obsessão em decifrar a loucura.
ESTREIA E LEGADO
“O Francesito” chegou aos cinemas argentinos em 2017, após estrear em festivais. A obra se insere na tradição de documentários biográficos sobre figuras centrais da cultura latino-americana, como Café dos Maestros, que também recupera figuras seminais da Argentina.
Mais do que uma biografia convencional, o filme propõe um resgate afetivo e crítico de um dos pensadores mais influentes da psicanálise no Cone Sul. Pichon-Rivière formou gerações de profissionais e sua teoria do vínculo continua referenciada em universidades de psicologia da América Latina.
O documentário cumpre um papel quase arqueológico: preserva a memória oral de um homem cuja influência atravessa décadas, mostrando como suas ideias ultrapassaram o divã e alcançaram a cultura popular.
VALE O INGRESSO?
Ponto alto: a humanização de uma figura histórica. Kohan consegue ir além do verbete acadêmico ao trazer relatos íntimos que mostram o psiquiatra como pessoa, com manias, afetos e uma infância quase selvagem no Chaco.
As entrevistas com pessoas que conviveram com Pichon-Rivière carregam uma emoção genuína. O espectador sai entendendo não só o que ele pensava, mas de onde vieram essas ideias.
Ponto fraco: o ritmo contemplativo pode afastar quem procura dinamismo. O filme assume uma cadência de conversa, sem grandes artifícios narrativos, o que exige paciência do público menos familiarizado com psicanálise.
- O apelido "Francesito" vem da ascendência francesa da família de Pichon-Rivière, e era usado pelos amigos mais íntimos do psicanalista.
- A infância de Enrique na província do Chaco, com contato direto com a fauna selvagem, é apontada como origem de sua capacidade de lidar com o inconsciente humano.
- O documentário propõe uma tese provocadora: a relação entre psicanálise e humor, sugerindo que a cultura argentina do riso, que inclui cineastas como Woody Allen, tem raízes no pensamento pichoniano.
O que é o documentário O Francesito?
É um documentário argentino de 2017 dirigido por Miguel Kohan que reconstrói a vida e a obra do psicanalista Enrique Pichon-Rivière, um dos introdutores da psicanálise na Argentina.
Quem foi Enrique Pichon-Rivière?
Foi um psicanalista e psiquiatra argentino, nascido na França e criado no Chaco, responsável por fundar a teoria do vínculo e formar gerações de profissionais na América Latina.
O documentário O Francesito está disponível em streaming no Brasil?
A disponibilidade varia conforme a região e a plataforma. Consulte a lista de cinemas e streamings atualizada exibida abaixo para conferir se o filme está em cartaz ou no catálogo digital.
Pra quem é este filme:
- Estudiosos de psicanálise e psicologia que querem entender a origem das ideias de Pichon-Rivière e sua influência na formação clínica latino-americana.
- Entusiastas de documentários biográficos interessados em figuras intelectuais do século XX e no método de humanizar pensadores através de depoimentos.
- Curiosos da cultura argentina que desejam entender as raízes do pensamento psicanalítico no país e sua ligação com a recepção de autores como Woody Allen.
Título original: EL FRANCESITO UN DOCUMENTAL (IM) POSIBLE SOBRE ENRIQUE PICHON RIVIÈRE
País de origem: ARGENTINA
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Miguel Luis Kohan, Miguel Kohan