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O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante
O que é O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante
Um restaurante chique de Amsterdã funciona como microcosmo do poder, da gula e da hipocrisia humana neste longa de 1989 do diretor britânico Peter Greenaway.
Todas as noites, o gângster Albert Spica invade o Le Hollandais com sua turma, toma conta do salão, humilha os garçons e exibe a esposa Georgina como troféu.
Quando ela se envolve com um cliente reservado, ávido leitor de livros, o local vira palco de um jogo perigoso entre desejo, comida e violência. O chef, refém de tudo, decide ajudar a manter os encontros em segredo dentro da cozinha.
O resultado é um drama de costumes estilizado, com diálogos literários, nudez frontal e uma estética que mistura pintura renascentista com a sujeira de um matadouro.
Linha do tempo e legado
Lançado em 1989, o filme dividiu público e crítica na passagem por Cannes, onde recebeu críticas polarizadas e foi alvo de ataques pela violência explícita.
Com o tempo, virou obra de culto: é citado em livros de história do cinema, referenciado por cineastas como Tim Roth e estudado em cursos de direção de arte pela sua mise-en-scène geométrica.
Hoje é lembrado como um dos pontos altos do cinema europeu transgressor dos anos 1980, ao lado de filmes como Pulp Fiction - Tempo de Violência e O Último Metrô, embora siga sendo um título de nicho.
A circulação no circuito de arte, com sessões raras como esta, mantém o filme vivo entre colecionadores e programadores de cinematecas.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção de arte e a fotografia de Sacha Vierny transformam o restaurante em um quadro vivo, com simetrias milimetricamente calculadas e uma paleta que vai do vermelho-sangue ao verde-cinza doentio.
As atuações são memoráveis, especialmente Helen Mirren, que se entrega sem reservas a uma personagem que oscila entre carrasco e vítima.
Ponto fraco: o ritmo é cadenciado demais para quem espera ação, e a violência, embora gráfica, é gratuita para os padrões atuais, o que pode soar exibido em vez de necessário.
É cinema cerebral, pensado para quem tolera nudez frontal e provocação política em nome da metáfora.
Curiosidades dos bastidores
- O roteiro foi escrito por Peter Greenaway em apenas algumas semanas, depois que o produtor Kees Kasander recusou três projetos anteriores do diretor.
- A maior parte do filme foi rodada em um único set construído em um estúdio nos arredores de Amsterdã, com iluminação cenográfica constante para reproduzir a luz natural.
- A trilha sonora de Michael Nyman se tornou tão influente que o compositor processou a editora por uso não autorizado em comerciais nos anos 1990.
Perguntas frequentes
O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com uma sequência climática no restaurante e os créditos sobem em seguida, sem cenas extras.
O filme é baseado em uma história real?
Não. A história é uma alegoria escrita por Peter Greenaway, inspirada em pinturas de Brueghel e na crônica política do final do século XX.
É um filme de terror ou comédia?
É classificado como comédia dramática, embora use elementos de terror pela violência gráfica e pelo grotesco das situações, sempre a serviço da sátira social.
Pra quem é este filme:
- Apostadores convictos que consideram Pulp Fiction o ápice da narrativa não-linear e querem ver as raízes europeias do cinema de máfia estilizado.
- Leitores de Susan Sontag, Roland Barthes e livros sobre cinema de vanguarda que reconhecem a influência de Greenaway no audiovisual contemporâneo.
- Colecionadores de cineastas provocadores e cinéfilos que guardam na estante edições em VHS ou DVD de clássicos cult, como Os Oito Odiados.
Título original: The Cook, the Thief, his Wife and her Lover
País de origem: Holanda
Diretor: Peter Greenaway
Principais atores: