O cinema de Larisa Shepitko: Asas
O que é "O cinema de Larisa Shepitko: Asas"
"O cinema de Larisa Shepitko: Asas" não é exatamente um longa-metragem inédito, mas sim uma sessão especial que reúne o clássico soviético Krylia (1966) com debate ou mediação sobre a obra.
O filme original acompanha Nadezhda Petrukhina, ex-pilota de caça durante a Segunda Guerra Mundial, que precisa reconstruir a vida como diretora de uma escola vocacional.
O grande conflito da personagem está entre a glória do passado nos céus e a frustração com a vida burocrática e doméstica do presente soviético.
Para quem curte ficção de autor, cinema soviético e narrativas femininas complexas, a sessão funciona como uma porta de entrada para a obra de uma diretora essencial e pouco exibida no circuito comercial.
Linha do tempo e legado
"Krylia" foi lançado originalmente em 1966 na União Soviética, durante o período de relativa abertura conhecido como degelo khrushcheviano, o que permitiu à diretora tratar temas psicossociais com certa liberdade.
Larisa Shepitko (1938-1979) morreu precocemente em um acidente de carro aos 41 anos, deixando um catálogo pequeno de apenas cinco longas, todos hoje cultuados por cinéfilos e programadores de festivais.
Em 2023, as sessões especiais com a chancela "O cinema de Larisa Shepitko" entraram na programação de cinemas independentes brasileiros, com sessões pontuais em São Paulo, ainda sem distribuição em larga escala.
A obra é lembrada por ter inspirado cineastas como Elem Klimov, viúvo de Shepitko, que continuou o projeto inacabado dela (Farewell) e ajudou a preservar seu legado nos anos seguintes.
Vale o ingresso?
Ponto alto: o roteiro é cirúrgico ao retratar a dissonância entre heroísmo de guerra e tédio cotidiano, com diálogos que ainda soam atuais sobre a dificuldade de reconhecimento feminino fora do campo de batalha.
Ponto alto: a direção de Shepitko usa planos longos e silêncios desconfortáveis, transformando o drama íntimo em quase um estudo de caso sociológico.
Ponto fraco: a cópia exibida em sessões especiais pode apresentar desgaste de película e legendas apenas em inglês, o que exige do espectador um pouco de paciência.
Ponto fraco: quem espera um filme tradicional de guerra vai se frustrar: as cenas aéreas existem só na memória da protagonista, e o resto se passa em corredores e escritórios cinzentos.
Curiosidades de bastidores
- Shepitko foi a primeira mulher soviética a dirigir um filme sobre a Segunda Guerra pouco depois do conflito, o que chamou atenção internacional e abriu caminho para outras diretoras.
- Foi a única mulher a vencer o prêmio de melhor direção no Festival de Karlovy Vary antes do ano 2000, com o longa You and I (1971).
- A sessão brasileira usa frequentemente cópia restaurada do arquivo estatal russo Gosfilmofond, raríssima em circuitos comerciais.
Perguntas frequentes
O que é "O cinema de Larisa Shepitko: Asas"?
É uma sessão especial que exibe o filme soviético Krylia (1966) dirigido por Larisa Shepitko, geralmente seguida de debate sobre a obra e o contexto da diretora.
O filme está em cartaz nos cinemas brasileiros?
Sim, em sessões pontuais e limitadas em cinemas independentes, principalmente em São Paulo, com calendário divulgado caso a caso pelo exibidor.
"Krylia" está disponível em streaming no Brasil?
Até o momento, não há lançamento comercial em plataformas de streaming no país; a única forma de assistir é em mostras e retrospectivas presenciais.
Pra quem é este filme:
- Estudantes e admiradores de cinema soviético e da escola russa de autor que costumam frequentar mostras retrospectivas.
- Pesquisadores e leitores de ensaios sobre representação feminina no cinema de guerra e na direção de mulheres do Leste Europeu.
- Curadores, programadores e críticos que colecionam obras de cineastas como Larisa Shepitko, Elem Klimov, Andrei Tarkovski e Kira Muratova.
Título original: O cinema de Larisa Shepitko: Asas
Data do lançamento: 31/12/2023
Distribuidora: Sem Distribuidor