Veja o trailer do filme O Cavalo de Turin
O Cavalo de Turin
O que é O Cavalo de Turin
Um velho fazendeiro e a filha dele vivem isolados em uma propriedade rural, presos a uma rotina que se repete dia após dia. A luz entra pela janela, a água é bombeada para o telhado, as batatas são descascadas. Quase nada acontece.
O cavalo da família para de comer e se recusa a sair do lugar. Esse é o único evento, e também o único mistério. O longa parte de um suposto episódio real: o filósofo Friedrich Nietzsche teria protegido um cavalo sendo surrado nas ruas de Turim, em 1889, poucos dias antes de seu colapso mental.
É drama autoral europeu em estado bruto, dirigido pelo húngaro Bela Tarr e anunciado como o último filme dele como diretor de ficção.
Linha do tempo e legado
O longa foi finalizado em 2011 e premiado no Grande Prêmio do Júri do Festival de Berlim, mesmo ano da aposentadoria cinematográfica de Tarr. No Brasil, a estreia em circuito comercial aconteceu em 16 de março de 2017, em uma janela de distribuição tardia e discreta, voltada a salas de arte e cineclubes.
Hoje é apontado como peça-chave do cinema contemplativo do século XXI, citado ao lado de Sátántangó e Werckmeister Harmóniák na filmografia do próprio diretor. A imagem do cavalo estático virou referência em ensaios sobre cinema lento, niilismo e a relação entre humanidade e natureza.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a fotografia em preto e branco, assinada por Fred Kelemen, é de uma precisão absurda. Cada plano parece pintado à mão, com uma luz natural que transforma a lama da estrada em material de油画.
O uso de planos-sequência longos transforma a tela em uma janela para o tédio dos personagens, criando uma hipnose que poucas obras conseguem.
Ponto fraco: o ritmo é impiedoso. São quase duas horas e meia sem diálogos praticamente, sem catarse e sem uma trama convencional.
Sair antes do final, aliás, é parte do teste que o próprio filme propõe. Quem não tolera cinema lento vai se frustrar.
Curiosidades dos bastidores
- O longa foi anunciado como o último trabalho de Bela Tarr como diretor de ficção, marcando sua despedida do cinema narrativo.
- Os direitos de adaptação do encontro entre Nietzsche e o cavalo foram negociados com os herdeiros do filósofo, que aprovaram o roteiro antes das filmagens.
- A fotografia de Fred Kelemen levou o Urso de Prata de melhor contribuição artística no Festival de Berlim 2011.
Perguntas frequentes
O Cavalo de Turin é baseado em uma história real?
Sim, o longa parte do suposto episódio de janeiro de 1889, quando Friedrich Nietzsche teria abraçado um cavalo sendo surrado em Turim, na Itália, pouco antes de seu colapso mental. Os detalhes da rotina do animal são recriação ficcional do diretor Bela Tarr.
Quanto tempo dura O Cavalo de Turin?
A versão padrão tem aproximadamente 146 minutos, sem créditos intermediários, o que torna a sessão uma experiência longa e ininterrupta.
O Cavalo de Turin tem cena pós-créditos?
Não. O longa termina abruptamente e a tela fica em silêncio, sem qualquer conteúdo extra depois dos créditos finais.
Pra quem é este filme:
- Devotos de cinema contemplativo: quem já maratonou Tarkóvski, Tsai Ming-liang e os planos longos de Lav Diaz sai satisfeito.
- Leitores de Nietzsche e filosofia existencialista: a premissa biográfica sobre o colapso do filósofo é o ponto de partida ideal para quem estuda o niilismo europeu.
- Fãs de Bela Tarr: quem viu Sátántangó ou Werckmeister Harmóniák vai reconhecer a câmera obsessiva do húngaro e seu olhar sobre coletivos à beira do colapso.