O que é O Casamento de Muriel?
Antes de qualquer coisa, esqueça a ideia de comédia romântica açucarada. O Casamento de Muriel é um soco no estômago embalado por Dancing Queen.
A premissa é simples na superfície: Muriel Heslop é uma jovem australiana de 22 anos, sem amigos, acima do peso e viciada em ABBA, que mora na cidade litorânea de Porpoise Spit. Ela fantasia sobre casar com um vestido branco para finalmente ter a vida que nunca teve.
Quando conhece Rhonda Epinstalk, uma excluída tão deslocada quanto ela, as duas fogem para Sydney. A partir daí, o filme do diretor P.J. Hogan vira uma jornada nada glamourosa sobre identidade, rejeição e a diferença entre ser desejada e ser amada.
De onde veio e por que ainda importa
O longa foi lançado em 1994 e é um dos títulos centrais do cinema australiano dos anos 90, ao lado de obras como Priscilla, a Rainha do Deserto.
Apesar de ter sido ignorado pelo Oscar, o papel de Toni Collette rendeu indicação ao Globo de Ouro e consolidou a atriz como uma das grandes forças dramáticas de sua geração, antes de hits como Hereditário.
Trinta anos depois, o filme virou referência obrigatória em listas de melhor cinema australiano, com revival impulsionado pelo ABBA, que voltou às paradas por causa de Mamma Mia! e da banda tributo Waterloo.
A obra costuma ser citada como precursora do tom de filmes como Pequena Miss Sunshine, que também aposta em protagonistas desajustados com humor ácido e afeto sincero.
Vale o ingresso?
Ponto alto: Toni Collette. Ela carrega Muriel do patético ao devastador com uma naturalidade absurda, e qualquer elogio ao filme começa nela. O roteiro de P.J. Hogan também acerta ao tratar temas pesados (abuso, vazio, classe) com humor sem suavizar a dor.
Ponto fraco: O terceiro ato perde o ritmo. A história escorrega para o melodrama familiar e algumas resoluções chegam rápido demais, especialmente no arco do pai de Muriel. O espectador mais cínico pode achar a virada final piegas.
Mas o saldo é positivo: é um filme que diverte, incomoda e emociona na mesma hora.
3 fatos que você provavelmente não sabia
- O roteiro foi escrito por P.J. Hogan em três semanas, depois que ele viu um documentário sobre a obsessão de garotas australianas com o ABBA.
- A própria Toni Collette era tão fã de ABBA que algumas das coreografias de Muriel foram improvisadas por ela no set.
- O título original quase foi Muriel's Big Fat Wedding, referência à cultura australiana que acabou descartada para o mercado internacional.
Perguntas frequentes sobre O Casamento de Muriel
O Casamento de Muriel tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina logo após a resolução do casamento. Quando os créditos começarem a subir, você já pode levantar da poltrona sem medo de perder nada.
Muriel's Wedding é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficção, embora P.J. Hogan tenha se inspirado em mulheres reais que conheceu crescendo em Brisbane, na Austrália, e na cultura local obcecada por casamentos.
Qual a duração total do filme?
São aproximadamente 1 hora e 46 minutos. O ritmo é ágil e passa rápido, apesar do terceiro ato mais melodramático.
Pra quem é este filme:
- Fãs de comédia de humor ácido que não tem medo de ir a lugares desconfortáveis em busca da piada.
- Apreciadores de drama sobre amadurecimento, baixa autoestima e laços familiares disfuncionais.
- Devotos do ABBA que querem ver Waterloo e Dancing Queen usadas como motor narrativo de verdade, não só pano de fundo.