Veja o trailer do filme O BATEDOR DE CARTEIRAS
O que é O Batedor de Carteiras
Em Paris, um jovem chamado Michel pratica furtos em transporte público com uma destreza quase atlética. Ele não rouba por fome, e sim por uma teoria: acredita que a sociedade é hipócrita e que a transgressão é uma forma de liberdade.
A rotina muda quando Jeanne, uma mulher gentil, cruza seu caminho e tenta resgatá-lo. O que vem depois mistura culpa, fé, polícia e uma reviravolta emocional que o obriga a encarar o próprio vazio. Baseado livremente em "Crime e Castigo", de Dostoiévski, o filme é um estudo seco sobre escolhas morais.
Trata-se de uma coprodução franco-brasileira dirigida pelo mestre Robert Bresson e creditada também a Aluizio T. de Carvalho, com locações reais em Paris e duração enxuta de 75 minutos.
Estreia e legado
O Batedor de Carteiras chegou aos cinemas em 1959 e se tornou, com o tempo, uma das obras mais citadas da história do ficção cinematográfica. Robert Bresson ganhou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes daquele ano, dividindo o reconhecimento com a nova geração da nouvelle vague.
Quase sete décadas depois, o longa segue em listas de melhores filmes de todos os tempos, estudado em escolas de cinema do mundo inteiro. Sua abordagem minimalista — atores não profissionais, trilha contida, sem trilha sonora melódica — virou referência obrigatória para diretores como Paul Schrader e os hermanos Dardenne.
No Brasil, a versão de Aluizio T. de Carvalho e a presença de Zé Trindade e outros nomes do nosso cinema reforçam o diálogo entre o drama existencialista francês e a chanchada nacional, num encontro raro da programação.
Vale o ingresso?
Ponto alto: as mãos em close, os ensaios de batedor e a contenção de Bresson viram linguagem. O silêncio, a fé e o gesto mínimo fazem mais do que mil reviravoltas.
Ponto fraco: o ritmo é lento, quase monástico. Quem busca comédia ou adrenalina policial tradicional pode achar arrastado — e não espere um protagonista simpático.
Curiosidades
- Robert Bresson treinou Martin LaSalle por semanas em batedores de carteira reais, com ladrões de verdade dando aulas em estações de trem.
- O diretor Pierre Etaix aparece brevemente como espectador de corrida, antes de virar lenda da comédia francesa.
- Foi vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Cannes de 1959, dividindo o ano com o nascimento da nouvelle vague.
Perguntas frequentes
O Batedor de Carteiras (1958) é baseado em qual obra?
É uma adaptação livre de "Crime e Castigo", de Fiódor Dostoiévski, deslocando a ação de São Petersburgo para a Paris dos anos 1950.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. O encerramento é definitivo, sem gancho extra ou cena adicional depois dos créditos finais.
É o mesmo filme da versão brasileira com Zé Trindade?
É uma coprodução. Bresson dirigiu, mas existe uma versão associada a Aloísio T. de Carvalho e ao elenco brasileiro, o que gera debate sobre autoria até hoje.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de arte, cinema francês e da filmografia de Robert Bresson.
- Leitores de Dostoiévski, Kierkegaard e哲学 existencialista que curtem adaptações densas.
- Estudantes de cinema, roteiristas e diretores que se interessam por estilo minimalista.
Título original: Pickpocket
País de origem: França
Data do lançamento: 31/12/1958
Distribuidora: Sem Distribuidor
Diretor: Aluizio T. de Carvalho, Robert Bresson, Aloísio T. de Carvalho
Principais atores: