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 O Artista

O Artista

Um cinema mudo no mundo barulhento

Em 1927, Hollywood inteira começa a falar. O astro do cinema mudo George Valentin ri da novidade, mas a plateia já está migrando para os talkies.

É nesse choque que o filme de Michel Hazanavicius se apoia: um longa inteiramente mudo, em preto e branco, rodado em 4:3, que entra no olho do furacão da maior revolução da indústria.

Ao mesmo tempo, Peppy Miller, fã de carteirinha de Valentin, vira estrela da noite para o dia. O encontro entre os dois mistura romance, drama e uma boa dose de comédia visual.

Estreia, legado e o peso do Oscar

“O Artista” chegou aos cinemas brasileiros em 10 de fevereiro de 2012 e rapidamente virou fenômeno mundial. Foi a primeira produção francesa a vencer o Oscar de Melhor Filme, na cerimônia de 2012, depois de uma campanha de distribuição americana que apostou pesado no boca a boca.

O filme levou cinco estatuetas: Melhor Filme, Diretor, Ator (Jean Dujardin), Trilha Sonora e Figurino. Foi também o primeiro filme majoritariamente mudo a ganhar a categoria principal desde “Asas”, em 1927 — coincidência ou ironia, já que a história se passa justamente no fim da era muda?

Quase 15 anos depois, segue citado em listas de cinefilia e é caso obrigatório em qualquer curso de linguagem audiovisual. Trumbo: Lista Negra e A Conexão Francesa também revisitam bastidores de Hollywood, mas com olhar mais realista.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a direção de Hazanavicius costura homenagem e narrativa original sem virar mero pastiche. A trilha sonora de Ludovic Bource cresce junto com a história e rouba a cena mesmo sem uma palavra dita.

Outro destaque forte: Jean Dujardin carrega o filme no rosto, nos olhos e no corpo. A sequência do sonho com o som e a cena final do sorriso valem a sessão sozinhas.

Ponto fraco: o ritmo é propositalmente cadenciado, e quem não tolera a falta de diálogos pode achar arrastado. A Bérénice Bejo fica um degrau abaixo em carisma, mas cumpre bem o papel de contraponto.

Bastidores e curiosidades

  • O longa foi rodado inteiramente em Los Angeles, mas é produção francesa, com idioma de filmagem misto (inglês e francês) e orçamento estimado em 15 milhões de dólares — baixo para um vencedor de Oscar.
  • Jean Dujardin faz uma participação rápida no filme “Os Smurfs” (2011) ao lado de John Goodman, meses antes da consagração no Oscar.
  • O filme original tem aproximadamente 104 minutos e nenhum diálogo falado, o que virou marca registrada e gerou debates em Hollywood sobre o futuro do cinema silencioso.

Perguntas frequentes

O Artista é um filme mudo mesmo?

Sim. É um longa em preto e branco, em formato 4:3, sem diálogos, que se passa durante a transição do cinema mudo para o falado. Usa intertítulos em vez de fala e trilha sonora orquestrada para conduzir a narrativa.

O Artista tem cena pós-créditos?

Não. Os créditos finais sobem em silêncio, acompanhados da trilha sonora, e o filme termina sem nenhuma cena extra depois deles.

Quantos Oscars O Artista ganhou?

Cinco estatuetas no total: Melhor Filme, Diretor, Ator (Jean Dujardin), Trilha Sonora e Figurino, na cerimônia de 2012.

O Artista está disponível em streaming no Brasil?

O longa já passou por catálogos como MUBI e serviços de aluguel digital, com disponibilidade variando ao longo do tempo. Para saber onde assistir agora, confira a grade de programação logo abaixo.

Pra quem é este filme:

  • Cinéfilos de clássicos: quem já assistiu a “Cidadão Kane”, “Crepúsculo dos Deuses” ou “Cantando na Chuva” vai reconhecer referências constantes e se deliciar com a reconstrução visual.
  • Apaixonados por cinema francês: a pegada de romance estilizado, piadas físicas e olhar humanista lembra muito os trabalhos de Truffaut e Hazanavicius em “OSS 117”.
  • Curiosos por cinema experimental: quem curte ficção ousada, de “Rua Cloverfield, 10” a “A Economia do Amor”, vai se interessar por um longa que usa a ausência de som como linguagem, não como limitação.