Veja o trailer do filme O ANJO FERIDO
O Anjo Ferido: o que você precisa saber antes de assistir
O Anjo Ferido (Ranenyy Angel) é um drama dirigido por Emir Baigazin que se passa em uma cidade pequena do Cazaquistão nos anos 1990, logo após o colapso da União Soviética.
O cenário é de miséria, famílias desmontadas e adolescentes entregues à própria sorte. A câmera acompanha quatro jovens em uma estrutura de capítulos: Balapan, que apanha e se recusa a revidar; Zahra, filha de um ladrão que precisa colocar comida na mesa; Zhaba, em busca de um tesouro de metal escondido por um grupo de crianças problemáticas; e Aslan, um bom aluno desesperado com a possível gravidez da namorada.
É um filme de ficção autoral, com elenco de não-atores e fotografia rigorosa — uma mistura entre realismo social e pintura sacra silenciosa.
Quando estreou e por que ainda é lembrado
O longa chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017, com distribuição limitada e foco no circuito de arte.
Produzido por Cazaquistão, França e Alemanha, rodou festivais internacionais como Cannes (Un Certain Regard) e Toronto, onde arrancou elogios pela maturidade estética do jovem Baigazin, que aqui assinava apenas seu segundo trabalho.
Apesar da passagem discreta pelas salas comerciais, o filme consolidou Baigazin como um dos nomes mais autorais do cinema da Ásia Central, sendo comparado em tom a mestres como Tarkovski e Carl Theodor Dreyer.
Hoje, é cultuado entre os fãs de cinema de arte como um dos retratos mais honestos do pós-sovietismo vistos nas últimas décadas, raro de encontrar em catálogos de streaming.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a cinematografia de Yves Cape e a direção de arte são o grande chamariz do longa. São quadros em preto e branco, no formato 4:3, que transformam meninos sujos de uma vila cazaque em figuras quase bíblicas, com iluminação de Caravaggio e silêncios que dizem mais que qualquer diálogo.
Outro mérito é a forma como Baigazin dá voz a uma região raramente vista no cinema ocidental, sem virar panfleto ou documentário.
Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem entra esperando conflito dramático no estilo escola-e-bullying clássico pode se frustrar, já que a câmera demora, repete e observa em vez de narrar. É filme para assistir com paciência.
Também vale avisar: os atores são todos amadores do Cazaquistão, então espere um certo estranhamento na entrega emocional. É proposital, mas pode incomodar.
Curiosidades sobre O Anjo Ferido
- O título internacional em inglês é The Wounded Angel, mesmo nome de uma pintura famosa do artista cazaque Mikhail Nesterov, de 1903 — referência que dialoga com a composição de quase todos os quadros do filme.
- O diretor Emir Baigazin escalou todos os protagonistas entre alunos de uma escola local de Almaty, sem experiência prévia em cinema.
- A fotografia em preto e branco e o formato 4:3 foram decisões pensadas antes das filmagens, com o cinegrafista Yves Cape construindo a iluminação para que cada plano funcionasse como uma pintura estática.
Perguntas frequentes sobre O Anjo Ferido
O Anjo Ferido tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma definitiva no último quadro do quarto capítulo, sem qualquer teaser ou cena extra após os créditos.
O Anjo Ferido é um filme indicado ao Oscar?
Não recebeu indicação ao Oscar, mas foi candidato oficial do Cazaquistão ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, consolidando o nome de Baigazin no circuito internacional.
O Anjo Ferido é bom? Vale a pena?
Vale, sim, para quem busca cinema de arte, fotografia marcante e um olhar raro sobre o Cazaquistão pós-soviético. Não é um filme para quem prefere ação ou ritmo acelerado.
Para quem aprecia um recorte parecido, vale o confronto com The Wounded Angel (2017), título original do próprio O Anjo Ferido.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de arte europeu e da Ásia Central, especialmente obras que retratam a transição pós-soviética com rigor visual e silêncio narrativo.
- Leitores de Dostoiévski, Platonov e de quadrinhos europeus que prezam por antihérois adolescentes e dilemas morais em cenários degradados.
- Curiosos pela cinematografia em preto e branco no formato 4:3, interessados em diretores como Tarkovski, Béla Tarr e Apichatpong Weerasethakul.
Título original: RANENYY ANGEL
País de origem: CAZAQUISTÃO, FRANÇA, ALEMANHA
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: Emir Baigazin
Principais atores: