Veja o trailer do filme O ANJO FERIDO

O ANJO FERIDO

O ANJO FERIDO

Ficção Drama Duração: 1h 52min

O Anjo Ferido: o que você precisa saber antes de assistir

O Anjo Ferido (Ranenyy Angel) é um drama dirigido por Emir Baigazin que se passa em uma cidade pequena do Cazaquistão nos anos 1990, logo após o colapso da União Soviética.

O cenário é de miséria, famílias desmontadas e adolescentes entregues à própria sorte. A câmera acompanha quatro jovens em uma estrutura de capítulos: Balapan, que apanha e se recusa a revidar; Zahra, filha de um ladrão que precisa colocar comida na mesa; Zhaba, em busca de um tesouro de metal escondido por um grupo de crianças problemáticas; e Aslan, um bom aluno desesperado com a possível gravidez da namorada.

É um filme de ficção autoral, com elenco de não-atores e fotografia rigorosa — uma mistura entre realismo social e pintura sacra silenciosa.

Quando estreou e por que ainda é lembrado

O longa chegou aos cinemas brasileiros em 16 de março de 2017, com distribuição limitada e foco no circuito de arte.

Produzido por Cazaquistão, França e Alemanha, rodou festivais internacionais como Cannes (Un Certain Regard) e Toronto, onde arrancou elogios pela maturidade estética do jovem Baigazin, que aqui assinava apenas seu segundo trabalho.

Apesar da passagem discreta pelas salas comerciais, o filme consolidou Baigazin como um dos nomes mais autorais do cinema da Ásia Central, sendo comparado em tom a mestres como Tarkovski e Carl Theodor Dreyer.

Hoje, é cultuado entre os fãs de cinema de arte como um dos retratos mais honestos do pós-sovietismo vistos nas últimas décadas, raro de encontrar em catálogos de streaming.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a cinematografia de Yves Cape e a direção de arte são o grande chamariz do longa. São quadros em preto e branco, no formato 4:3, que transformam meninos sujos de uma vila cazaque em figuras quase bíblicas, com iluminação de Caravaggio e silêncios que dizem mais que qualquer diálogo.

Outro mérito é a forma como Baigazin dá voz a uma região raramente vista no cinema ocidental, sem virar panfleto ou documentário.

Ponto fraco: o ritmo é lento de verdade. Quem entra esperando conflito dramático no estilo escola-e-bullying clássico pode se frustrar, já que a câmera demora, repete e observa em vez de narrar. É filme para assistir com paciência.

Também vale avisar: os atores são todos amadores do Cazaquistão, então espere um certo estranhamento na entrega emocional. É proposital, mas pode incomodar.

Curiosidades sobre O Anjo Ferido

  • O título internacional em inglês é The Wounded Angel, mesmo nome de uma pintura famosa do artista cazaque Mikhail Nesterov, de 1903 — referência que dialoga com a composição de quase todos os quadros do filme.
  • O diretor Emir Baigazin escalou todos os protagonistas entre alunos de uma escola local de Almaty, sem experiência prévia em cinema.
  • A fotografia em preto e branco e o formato 4:3 foram decisões pensadas antes das filmagens, com o cinegrafista Yves Cape construindo a iluminação para que cada plano funcionasse como uma pintura estática.

Perguntas frequentes sobre O Anjo Ferido

O Anjo Ferido tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina de forma definitiva no último quadro do quarto capítulo, sem qualquer teaser ou cena extra após os créditos.

O Anjo Ferido é um filme indicado ao Oscar?
Não recebeu indicação ao Oscar, mas foi candidato oficial do Cazaquistão ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, consolidando o nome de Baigazin no circuito internacional.

O Anjo Ferido é bom? Vale a pena?
Vale, sim, para quem busca cinema de arte, fotografia marcante e um olhar raro sobre o Cazaquistão pós-soviético. Não é um filme para quem prefere ação ou ritmo acelerado.

Para quem aprecia um recorte parecido, vale o confronto com The Wounded Angel (2017), título original do próprio O Anjo Ferido.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema de arte europeu e da Ásia Central, especialmente obras que retratam a transição pós-soviética com rigor visual e silêncio narrativo.
  • Leitores de Dostoiévski, Platonov e de quadrinhos europeus que prezam por antihérois adolescentes e dilemas morais em cenários degradados.
  • Curiosos pela cinematografia em preto e branco no formato 4:3, interessados em diretores como Tarkovski, Béla Tarr e Apichatpong Weerasethakul.

Título original: RANENYY ANGEL

País de origem: CAZAQUISTÃO, FRANÇA, ALEMANHA

Data do lançamento: 16/03/2017

Diretor: Emir Baigazin

Principais atores: