Nem o céu nem a terra
Sobre o que é Nem o céu nem a terra
Em 2014, um grupo de soldados franceses patrulha o Vale do Porão, no Afeganistão, em uma missão de reconhecimento que beira a rotina. A convivência com a população local vai se deteriorando sem que ninguém consiga explicar exatamente por quê.
Dirigido por Cogitore com olhar clínico, o longa trata a guerra como um estado de espera, não de explosão. O inimigo raramente aparece em campo aberto.
Filmes sobre Oriente Médio costumam escolher entre o thriller de ação e o ensaio político. Este opta por um terceiro caminho: a estranheza.
Linha do tempo e legado
Estreou em maio de 2015 na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, fora da competição principal. Ganhou o prêmio FIPRESCI da crítica internacional logo na première.
Chegou aos cinemas brasileiros em 2016, em circuito alternativo, e ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Brasília.
É lembrado como uma das raras incursões do cinema francês contemporâneo em território de guerra sem o viés do conflito direto. A obra dialoga com o cinema de Gus Van Sant e com o rigor contemplativo de A Batalha de Argel.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a direção é firme, a cinematografia de Martin Ruhe transforma o terreno árido em quase um personagem, e o elenco mantém o tom sob controle mesmo nos momentos de puro silêncio.
O ritmo lento funciona como escolha estética e não como falha de roteiro. O espectador sente o calor, a espera, a paranoia crescente.
Ponto fraco: quem espera ação militar tradicional vai sair frustrado. O terceiro ato exige leitura entre linhas e alguma paciência com a ambiguidade do desfecho.
A trilha sonora de Eric Bent satura o ambiente de propósito, mas pode soar invasiva em sessões com som alto.
Curiosidades dos bastidores
- As filmagens foram realizadas na Jordânia, em regiões desérticas que emulam o vale afegão, com apoio do exército jordano
- Os atores passaram por treinamento militar real com ex-militares franceses antes do início das gravações
- Clément Cogitore é também artista plástico e videoartista, e já havia representado a França na Bienal de Veneza
Perguntas frequentes
Nem o céu nem a terra é baseado em fatos reais?
Não. A história é ficcional, embora se inspire no cotidiano das tropas francesas estacionadas no Kapisa e no Vale do Porão durante a Operação Pamir, encerrada em 2014.
O filme tem cena pós-créditos?
Não. Os créditos finais sobem logo após a última sequência, sem teasers extras.
Vale a pena assistir Nem o céu nem a terra?
Vale para quem busca cinema de guerra reflexivo, com abordagem antropológica. Não vale para quem espera ação convencional ou respostas fáceis sobre o conflito.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de guerra autoral que valorizam atmosfera e contexto geopolítico acima de tiroteio
- Leitores de-reportagens sobre conflitos no Oriente Médio, especialmente do Le Monde Diplomatique e da Piauí
- Quem curte o cinema contemplativo de Lucrecia Martel, Kelly Reichardt e Gus Van Sant
Título original: Nem o céu nem a terra