Mostra Derek Jarman: The Angelic Conversation
O que é The Angelic Conversation
The Angelic Conversation é um filme experimental de 1985 dirigido por Derek Jarman, figura central do cinema independente e queer britânico.
A obra cruza duas camadas: imagens de jovens masculinos em paisagens rurais, praias e ruínas urbanas, e a leitura em voz alta de 14 sonetos de Shakespeare, quase todos pertencentes à série dos primeiros 126, dedicados a um jovem.
As vozes ficam por conta de Judi Dench, atriz veterana de Shakespeare no teatro, que empresta seu tom sério e cadenciado à poesia.
O resultado é um curta-metragem expandido de 78 minutos, sem diálogo falado entre personagens, construído essentially como um vídeo-poema sobre desejo, beleza e efemeridade masculina.
É cinema de arte no sentido mais literal: exige entrega do espectador e dispensa a lógica narrativa convencional.
Linha do tempo e legado
Estreou em 1985, no circuito de festivais e mostras de cinema alternativo, em um período em que o vídeo já era a matéria-prima de boa parte da produção experimental britânica.
Jarman realizou o filme entre duas obras importantes: The Last of England (1987) e Caravaggio (1986), e a peça funciona como um interlúdio lírico dentro de sua filmografia.
Hoje, é citado em cursos de cinema queer, em retrospectivas sobre a nouvelle vague britânica dos anos 80 e em programas sobre adaptação shakespeariana não convencional.
Não disputou premiações mainstream, mas entrou para acervos de museus e cinematecas como o British Film Institute, que o trata como peça de estudo.
A presente mostra resgata o título em circuito limitado, oferecendo ao público brasileiro uma chance rara de vê-lo em cópia projetada.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a leitura de Judi Dench transforma sonetos famosos em algo físico e vulnerável, e a fotografia de Richard Heselton trabalha muito bem a luz natural sobre os corpos.
Ponto alto: a trilha sonora pontuada por composições de Coil e_current 93 dialoga com a atmosfera pagã e cerimonial do filme.
Ponto fraco: a estrutura repetitiva pode soar monótona para quem espera desenvolvimento de personagens ou conflito dramático.
Ponto fraco: a baixa definição do material de origem, típico do vídeo Super-8 e Hi-8 da época, exige tolerância estética do espectador.
- O título é emprestado de uma expressão usada por críticos vitorianos para descrever o estilo de Shakespeare nos sonetos endereçados ao jovem.
- Coil, coletivo de música industrial ligado ao selo 4AD, contribuiu com a trilha sonora junto de Current 93 e Bruce Gilbert.
- Jarman filmou boa parte do material em Dungeness, no litoral do Kent, mesmo cenário que abrigaria obras posteriores do diretor.
Não. É uma obra experimental, sem trama convencional, estruturada a partir de imagens e da leitura dos sonetos. Funciona mais como um poema visual do que como um conto.
Quem é Derek Jarman?Diretor, artista plástico e ativista britânico (1942-1994), uma das figuras mais influentes do cinema queer e experimental dos anos 80, responsável também por Sebastiane, Jubilee e Caravaggio.
É possível assistir online?O filme teve edições em VHS e DVD por selos independentes, mas a melhor forma de conhecê-lo hoje é por mostras e cineclubes, como a presente sessão.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de ensaio e vídeo-arte, especialmente da tradição britânica dos anos 80.
- Leitores de Shakespeare interessados em adaptações radicais e não teatrais dos sonetos.
- Estudantes e entusiastas de cinema queer que querem conhecer um marco da filmografia de Derek Jarman.