MOSTRA DE CINEMA ESPANHOL: Fechar os Olhos
Premissa
Julio Arenas é um ator veterano da Espanha que simplesmente desaparece no meio das gravações de um filme. A polícia encerra o caso como acidente à beira-mar, mas o corpo nunca aparece.
Anos mais tarde, um programa de TV tenta reabrir a história exibindo imagens brutas das últimas cenas de Julio, gravadas por Miguel Garay, o diretor do filme e seu amigo mais próximo. É esse material-resíduo que puxa o fio da memória de quem ficou para trás.
Linha do tempo e legado
Fechar os Olhos marca o retorno de Víctor Erice, autor de O Espírito da Colmeia (1973) e O Sul (1983), ao cinema depois de mais de três décadas sem dirigir um longa de ficção.
A produção estreou no Festival de Cannes 2023, onde foi ovacionada e disputou a Palma de Ouro, reforçando o prestígio de Erice como um dos nomes sagrados do cinema europeu de autor. No Brasil, o filme chega exibido pela Mostra de Cinema Espanhol, em circuito restrito de mostras e poucas salas em São Paulo, com sessões pontuais e capacidade limitada de público.
Mesmo com distribuição discreta, o longa já figura entre os títulos de drama mais comentados do ano entre críticos e cinéfilos.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a fotografia tem uma melancolia luminosa, e Erice usa o silêncio como linguagem. As cenas com a atriz Ana Torrent, adulta, carregando o peso do passado, são das melhores do ano.
Ponto fraco: os 169 minutos pesam. O ritmo é contemplativo ao extremo e exige disponibilidade emocional. Quem busca respostas objetivas sobre o desaparecimento de Julio vai sair frustrado, porque o filme não é um mistério convencional: é uma meditação sobre o que fica depois que a câmera para.
Curiosidades dos bastidores
- Víctor Erice não dirigia um longa de ficção desde 1992, quando lançou O Sol do Marmeleiro, tornando Fechar os Olhos seu quarto longa-metragem em mais de 50 anos de carreira.
- O título original, Cerrar los ojos, faz duplo sentido: remete a perder a visão, mas também a fechar a câmera, encerrar um ciclo.
- Ana Torrent, aqui adulta, é a mesma atriz mirim de O Espírito da Colmeia (1973), o que cria um elo simbólico entre a filmografia de Erice.
Perguntas frequentes
Fechar os Olhos tem cena pós-créditos?
Não. O filme termina com uma sequência final longa e contemplativa, sem teasers extras após os créditos. Planeje sair sem pressa.
Fechar os Olhos vale a pena?
Vale para quem curte drama europeu contemplativo e cinema de autor. Não vale se você busca reviravoltas ou ritmo acelerado.
Fechar os Olhos está em cartaz no Brasil?
Sim, mas em circuito restrito. A exibição é feita pela Mostra de Cinema Espanhol em poucas salas, com sessões pontuais em São Paulo e outras capitais.
Pra quem é este filme:
- Adoradores de cinema de autor europeu: fãs de Tarkovski, Antonioni e do próprio Erice, que valorizam planos longos, elipses e narrativas não-lineares.
- Colecionadores de mostras e festivais: quem acompanha sessões de cineclube, retrospectivas raras e lançamentos pontuais em salas pequenas.
- Leitores de ensaios sobre memória e imagem: público interessado em obras que tratam do audiovisual como arquivo afetivo e não como mero entretenimento.