MOSTRA COMEMORATIVA DO CINEMA PERNAMBUCANO: Boi Neon

MOSTRA COMEMORATIVA DO CINEMA PERNAMBUCANO: Boi Neon

16 Drama Duração: 1h 41min

O que é Boi Neon

Dirigido por Gabriel Mascaro, Boi Neon é um drama pernambucano que acompanha Iremar, vaqueiro que percorre o Nordeste em vaquejadas enquanto alimenta um sonho pouco óbvio para o ofício: virar estilista no Polo de Confecções do Agreste.

O filme embaralha sertão, vaquejada, passarela e galpão de costura num mesmo plano, sem tratar nenhuma dessas esferas como exótica. Iremar desenha croquis, observa tecidos e cuida dos cavalos com a mesma seriedade.

Lançado em 2015, o longa traz no elenco atrizes trans em papéis de prostitutas que dividem o tempo com a protagonista. Essa escolha não é enfeite: redefine quem ocupa o centro da narrativa do sertão contemporâneo.

Estreia, festivais e legado

Boi Neon teve estreia mundial na competição do Festival de Veneza em 2015, um dos slots mais disputados do cinema autoral mundial. De lá, circulou por Toronto, Rotterdam e diversos festivais latino-americanos, sempre com boas notas da crítica.

No circuito nacional, o filme entrou no Festival de Brasília, onde venceu como melhor longa, e depois ganhou uma carreira em salas alternativas. Foi indicado ao Grande Otelo em categorias técnicas, reforçando a presença do cinema pernambucano autoral.

Quase uma década depois, Boi Neon é lembrado como peça-chave do cinema do real brasileiro recente, ao lado de Aquarius e do próprio trabalho anterior de Mascaro. Sua releitura sobre identidade de gênero, trabalho e desejo segue atual.

Esta sessão faz parte da Mostra Comemorativa do Cinema Pernambucano, o que contextualiza a exibição atual como homenagem à produção do estado.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a fotografia de Diego Tenorio encontra texturas raras — couro de sela, lantejoula, pele suada — e devolve dignidade visual ao Nordeste sem cair na paisagem cartão-postal.

O elenco trans, dirigido por Geisa Sena e Silvero Pereira em cena marcante, imprime verdade aos personagens que normalmente seriam apenas figurantes no cinema regional.

Ponto fraco: a estrutura narrativa é feita de episódios, quase um road movie sensorial. Quem busca trama com conflito centralizado e arco clássico pode achar o ritmo disperso.

O longa também evita respostas fáceis sobre o futuro de Iremar, o que divide parte do público acostumado com encerramentos explícitos.

Curiosidades

  • As gravações aconteceram em vaquejadas reais do interior de Pernambuco, com equipe reduzida circulando entre os eventos.
  • O figurino da cena na passarela do Polo de Confecções foi costurado por estilistas locais, não por figurinistas do filme, reforçando a fusão entre ficção e economia real.
  • Gabriel Mascaro veio do curta-metragem e do documentário, e Boi Neon foi seu primeiro longa a circular em circuito internacional com força.

Perguntas frequentes

Boi Neon é baseado em fatos reais? Não é uma biografia, mas Mascaro pesquisou vaqueiros e costureiras reais do Agreste durante anos, e a maioria das situações foi inspirada em entrevistas e vivências documentadas.

Boi Neon tem cena pós-créditos? Não. O longa encerra nos créditos finais, sem cenas extras após o término.

Onde Boi Neon está disponível em streaming? O filme já circulou por catálogos digitais no Brasil, mas a disponibilidade varia. A lista de cinemas e streamings logo abaixo reflete a situação atualizada do título.

Pra quem é este filme:

  • Fãs do cinema brasileiro contemporâneo, especialmente obras premiadas em Veneza, Berlim e Brasília, interessadas em novas gramáticas do real.
  • Leitores de drama autoral que curtem diretores como Karim Aïnouz, Anna Muylaert e Kleber Mendonça Filho.
  • Quem se interessa por moda, cultura vaqueira e estudos de gênero, especialmente pela interseção entre sertão e indústria criativa.