O que é Morrer como um homem
Morrer como um homem é um drama cru e político de João Pedro Rodrigues, ambientado no submundo dos shows de travestis de Lisboa.
No centro está Tonia, estrela veterana desses espetáculos, que divide a vida com Rosário, namorado usuário de heroína. A relação é devoradora, física, contraditória.
A pressão para a cirurgia de redesignação sexual, imposta por Rosário, bate de frente com a fé católica de Tonia. Ao redor, o filho soldado reaparece como desertor, e o circuito noturno onde ela reinou por décadas começa a se apagar.
O longa, exibido em mostras e festivais, mistura biografia inventada, realismo e estranhamento para colocar em xeque identidade, corpo e tradição.
Estreia e legado
Morrer como um homem estreou em circuito de festivais em 2009 e ganhou versões expandidas nos anos seguintes. No Brasil, chegou a sessões especiais em 2017, com classificação 16 anos, fora do circuito comercial massivo.
É considerado um marco do cinema queer português e dialoga diretamente com O Fantasma (2001), do mesmo diretor, que já anunciava essa obsessão por corpos à margem.
Rodrigues também é conhecido por O Ornitólogo (2017) e pelo segmento em Aqui, em Lisboa - episódios da vida da cidade, sempre flertando com o cinema experimental, a mitologia e a culpa religiosa.
Hoje é lembrado como um filme divisor de águas: ouve-se falar dele em cursos de cinema, gênero e teoria queer, mas raramente em listas pop de fim de ano.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a construção de Tonia. Fernando Santos entrega uma das performances mais corajosas do cinema português recente, transitando entre fragilidade e resistência sem cair em caricatura.
A direção do João Pedro Rodrigues usa a câmera como cúmplice do corpo, com closes incômodos e uma trilha que mistura fado, som ambiente e drones industriais.
Ponto fraco: o ritmo é lento, o enredo se desenha por acúmulo, e algumas cenas beiram o exibicionismo estético.
Quem espera um drama convencional vai sair insatisfeito. O filme pede leitura ativa, e se dispõe a esse pacto, recompensa.
Bastidores e detalhes
- O filme nasceu de uma série de entrevistas reais com artistas dos últimos shows de travestis de Lisboa, e o roteiro preserva falas espontâneas do material de campo.
- João Pedro Rodrigues dirigiu anos antes o curta O Fantasma, depois expandido em longa, que já ensaiava a mesma relação entre corpo, repressão e religiosidade católica.
- Parte da estética do longa dialoga com o segmento de Rodrigues no filme coletivo Aqui, em Lisboa, retomando ruas, neblina e fauna urbana da cidade.
Perguntas frequentes
Morrer como um homem está disponível em streaming no Brasil? Aparece de forma pontual em mostras, ciclos universitários e catálogos independentes de cinema autoral. Não é lançamento de grande plataforma, então a disponibilidade muda muito conforme o mês.
Qual é a classificação etária do filme Morrer como um homem? Classificação 16 anos, por conteúdo sexual explícito, uso de drogas e temas religiosos sensíveis.
Morrer como um homem tem cena pós-créditos? Não. O longa termina em silêncio seco, sem ganchos extras, dentro da tradição de cinema de festival que Rodrigues costuma praticar.
Pra quem é este filme:
- Fãs de cinema de autor europeu, em especial obras de João Pedro Rodrigues e Pedro Costa, interessados em modos não narrativos de contar.
- Estudantes e pesquisadoras(es) de estudos de gênero, teoria queer e antropologia urbana, que encontraram aqui um objeto de análise raro.
- Leitoras e leitores de Susan Sontag, Hervé Guibert e Judith Butler, acostumados a pensar corpo, identidade e performance como categorias políticas.
Título original: Morrer como um homem
País de origem: França
Data do lançamento: 16/03/2017
Diretor: João Pedro Rodrigues.
Principais atores: