Morrer como um homem

Morrer como um homem

16 Drama Biografia Duração: 2h 13min

O que é Morrer como um homem

Morrer como um homem é um drama cru e político de João Pedro Rodrigues, ambientado no submundo dos shows de travestis de Lisboa.

No centro está Tonia, estrela veterana desses espetáculos, que divide a vida com Rosário, namorado usuário de heroína. A relação é devoradora, física, contraditória.

A pressão para a cirurgia de redesignação sexual, imposta por Rosário, bate de frente com a fé católica de Tonia. Ao redor, o filho soldado reaparece como desertor, e o circuito noturno onde ela reinou por décadas começa a se apagar.

O longa, exibido em mostras e festivais, mistura biografia inventada, realismo e estranhamento para colocar em xeque identidade, corpo e tradição.

Estreia e legado

Morrer como um homem estreou em circuito de festivais em 2009 e ganhou versões expandidas nos anos seguintes. No Brasil, chegou a sessões especiais em 2017, com classificação 16 anos, fora do circuito comercial massivo.

É considerado um marco do cinema queer português e dialoga diretamente com O Fantasma (2001), do mesmo diretor, que já anunciava essa obsessão por corpos à margem.

Rodrigues também é conhecido por O Ornitólogo (2017) e pelo segmento em Aqui, em Lisboa - episódios da vida da cidade, sempre flertando com o cinema experimental, a mitologia e a culpa religiosa.

Hoje é lembrado como um filme divisor de águas: ouve-se falar dele em cursos de cinema, gênero e teoria queer, mas raramente em listas pop de fim de ano.

Vale o ingresso?

Ponto alto: a construção de Tonia. Fernando Santos entrega uma das performances mais corajosas do cinema português recente, transitando entre fragilidade e resistência sem cair em caricatura.

A direção do João Pedro Rodrigues usa a câmera como cúmplice do corpo, com closes incômodos e uma trilha que mistura fado, som ambiente e drones industriais.

Ponto fraco: o ritmo é lento, o enredo se desenha por acúmulo, e algumas cenas beiram o exibicionismo estético.

Quem espera um drama convencional vai sair insatisfeito. O filme pede leitura ativa, e se dispõe a esse pacto, recompensa.

Bastidores e detalhes

  • O filme nasceu de uma série de entrevistas reais com artistas dos últimos shows de travestis de Lisboa, e o roteiro preserva falas espontâneas do material de campo.
  • João Pedro Rodrigues dirigiu anos antes o curta O Fantasma, depois expandido em longa, que já ensaiava a mesma relação entre corpo, repressão e religiosidade católica.
  • Parte da estética do longa dialoga com o segmento de Rodrigues no filme coletivo Aqui, em Lisboa, retomando ruas, neblina e fauna urbana da cidade.

Perguntas frequentes

Morrer como um homem está disponível em streaming no Brasil? Aparece de forma pontual em mostras, ciclos universitários e catálogos independentes de cinema autoral. Não é lançamento de grande plataforma, então a disponibilidade muda muito conforme o mês.

Qual é a classificação etária do filme Morrer como um homem? Classificação 16 anos, por conteúdo sexual explícito, uso de drogas e temas religiosos sensíveis.

Morrer como um homem tem cena pós-créditos? Não. O longa termina em silêncio seco, sem ganchos extras, dentro da tradição de cinema de festival que Rodrigues costuma praticar.

Pra quem é este filme:

  • Fãs de cinema de autor europeu, em especial obras de João Pedro Rodrigues e Pedro Costa, interessados em modos não narrativos de contar.
  • Estudantes e pesquisadoras(es) de estudos de gênero, teoria queer e antropologia urbana, que encontraram aqui um objeto de análise raro.
  • Leitoras e leitores de Susan Sontag, Hervé Guibert e Judith Butler, acostumados a pensar corpo, identidade e performance como categorias políticas.

Título original: Morrer como um homem

País de origem: França

Data do lançamento: 16/03/2017

Diretor: João Pedro Rodrigues.

Principais atores: