Veja o trailer do filme Margarita com Canudinho
Margarita com Canudinho
O filme em resumo
Laila é uma jovem indiana com paralisia cerebral e um talento raro para música. Quando ganha uma bolsa para a Universidade de Nova York, deixa a casa da família em Délhi e parte para Manhattan acompanhada da mãe Shubhangi, vivida por Revathy.
Lá, ela se afasta de um colega que a rejeita, descobre o ativismo queer ao lado de uma paquistaneira com baixa visão chamada Khanum e vive a primeira relação sexual e afetiva fora do controle da família.
Dirigido por Shonali Bose, o longa usa Nova York não como cenário exótico, mas como espaço de confronto entre o corpo deficiente e a liberdade.
Estreia e legado
Lançado em 2014, Margarita com Canudinho estreou no Festival de Toronto e foi escolhido para representar a Índia no Oscar de melhor filme estrangeiro. Ficou de fora da lista final, mas rendeu à produção um circuito sólido de festivais e uma distribuição mundial que o manteve vivo por mais de uma década.
Em 2016, a Sony Pictures Classics adquiriu os direitos nos Estados Unidos, o que abriu espaço para a discussão sobre deficiência e sexualidade no cinema comercial, ainda pouco habitado por esses temas.
Hoje, é citado como referência obrigatória em listas de cinema indiano LGBTQIA+ e de representatividade da pessoa com deficiência. A cena em que Laila dança com Khanum numa boate nova-iorquina virou ícone de representatividade lésbica na cultura pop indiana.
Vale o ingresso?
Ponto alto: a interpretação de Kalki Koechlin é o motor do filme. Ela sustenta com o corpo, com a voz e com o olhar as cenas mais delicadas e as mais brutas.
A química com Sayani Gupta é real, e a direção de Shonali Bose trata a intimidade sem pudor de novela e sem moralismo.
Ponto fraco: o segundo ato repete situações de descoberta que já tinham sido bem plantadas. São 140 minutos que pedem fôlego, e nem todo o fôlego é recompensado.
Há também uma trilha sonora competente, mas usada em demasia, tentando emocionar o que a imagem já entrega sozinha.
Curiosidades
- Kalki Koechlin, que é fluente em francês e nasceu na Índia de pais franceses, não tem paralisia cerebral. A preparação incluiu meses de pesquisa com pessoas com a condição e acompanhamento de fisioterapeutas durante as filmagens.
- O título original, Margarita with a Straw, faz referência direta à imagem de Laila bebendo com um canudinho adaptado, que aparece no primeiro ato do filme e volta como metáfora visual no terceiro.
- Parte das filmagens foi feita em locações reais da Universidade de Nova York e no metrô de Manhattan, com equipe técnica mínima, o que obrigou Kalki a executar boa parte das cenas de cadeira de rodas sem dublê.
Perguntas frequentes
Margarita com Canudinho tem cena pós-créditos?
Não. O filme encerra com uma sequência climática bem definida e os créditos começam imediatamente em seguida.
Margarita com Canudinho é baseado em história real?
Não. A história é original, escrita pela diretora Shonali Bose junto com Nilesh Maniyar, mas foi construída a partir de entrevistas com pessoas com paralisia cerebral e ativistas da comunidade surdocego e LGBTQIA+.
Onde assistir Margarita com Canudinho online?
O filme circula em catálogos de streaming especializados em cinema indiano e, eventualmente, em mostras e ciclos de cinema LGBTQIA+. A disponibilidade varia, então vale checar a grade atualizada na nossa seção de programação.
Pra quem é este filme:
- Fãs de dramas intimistas sobre amadurecimento, deficiência e descoberta sexual fora do circuito hollywoodiano.
- Quem acompanha o cinema de Bollywood de autor e já viu Un + une ou A Death in the Gunj.
- Público LGBTQIA+ interessado em representatividade lésbica não estereotipada, e leitorxs de ficção sul-asiática contemporânea.
Título original: Margarita, with a Straw
País de origem: Índia
Diretor: Shonali Bose
Principais atores: